Manta, Equador - O Rio Manta separa o centro e o porto da cidade homônima de Tarqui. Desde o forte terremoto do último sábado no Equador, porém, o curso d'água divide também a região que passou quase ilesa pelo abalo de outra destruída. No bairro, os hotéis da beira-mar foram muito afetados e um deles, o Miami, caiu com 27 pessoas dentro. Na tarde de ontem, ainda havia dez desaparecidos.
Dentre eles, está o colombiano Victor Flores, de 24 anos. O engenheiro, que mora em Guayaquil, estava havia uma semana em Manta para fazer um trabalho no porto. A namorada de Flores, Inés Ponce, de 26, disse que a última vez que se falaram foi às 18 horas. "Vi que a mensagem que enviei a ele pelo WhattsApp tinha chegado às 18h33. Depois, não recebi mais resposta."
Ponce chegou no domingo a Manta, junto com a mãe e os irmãos de Flores, que vieram do país vizinho. Desde então, ela está no acampamento ao lado do prédio. Com as esperanças mais reduzidas de encontrá-lo vivo, eles se reúnem cada vez que bombeiros e voluntários trazem roupas e pertences achados no antigo prédio. Até o início da tarde, no entanto, nenhum corpo havia sido encontrado no hotel Miami, diferentemente de segunda, quando três foram recuperados.
As equipes receberam a colaboração de bombeiros peruanos e grupos vindos da Colômbia. Segundo o Ministério do Interior, o número de mortos chegou a 480. Há mais de 2 mil feridos.
Só pelo meio da rua é possível andar nas quadras que ficam atrás da orla de Tarqui. Há postes caídos, fios desencapados no chão e mais escombros. O Exército e a polícia impedem a passagem de pessoas que não sejam moradores ou as equipes de resgate. Alguns moradores carregam caminhonetes com os pertences que sobraram. Eles aproveitam a parada nas réplicas intensas para deixar o bairro. Para os que não têm para onde ir, resta esperar a ajuda do governo.

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