Beslan - Em estado de choque, mulheres reunidas em um salão de festas novinho em folha de Beslan, na Ossétia do Norte, a apenas 150 metros da escola na qual suas crianças são mantidas como reféns de um grupo armado, mal conseguem falar e, como um claro sinal de sua angústia e desespero, mantêm o rosto escondido entre as mãos na maior parte do tempo.
Liouda, uma viúva de 53 anos, cujo casal de filhos Zarema, de 15, e Amir, de 12, estão em poder dos sequestradores, está paralisada. Ela chegou por volta das 20h (local) e ficou por mais de cinco horas sentada em um banco, de cabeça baixa, amparada por vizinhos e amigos.
De manhã, Liouda levou seus filhos à escola um pouco antes do início das aulas para voltar em seguida para a pequena loja onde trabalha e onde, mais tarde, uma vizinha lhe contaria sobre a tomada de reféns. Ela então correu para o estabelecimento, mas a zona já estava cercada pela polícia, após o tiroteio inicial que deixou nove mortos.
No salão de parede cor creme e chão de ladrilhos cinza e vermelho, os familiares aguardam qualquer notícia, seguindo os costumes caucasianos: os homens de um lado, no bar, bebem um chá em silêncio; as mulheres, por sua vez, com os olhos vermelhos, estão sentadas em bancos e cadeiras ao redor da fonte central. Ao lado dos vestiários, um médico verifica a pressão dos presentes que formam uma pequena fila de espera. Um pouco mais longe, a sala de cinema está quase cheia, com parentes das vítimas, amigos ou vizinhos, que dormem ou apenas esperam de olhos fechados.

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