As famílias de Rafael Kenji Kawakami, 19 anos, e Márcio Kiyokaza Tamashiro, 32 anos, dois dos sete brasileiros mortos em um acidente de trânsito sábado em uma estrada no noroeste do Japão, esperam receber os corpos ou as cinzas das vítimas somente no final de semana. A família de Rafael, que é de Maringá (Noroeste do Estado), informou ontem que a princípio tinha a expectativa de poder velar o corpo do jovem já na próxima sexta-feira. ''Agora não sabemos mais. Não há nada definitivo'', disse Carlos Alberto Satoshi, tio e padrinho de Rafael.
Segundo Satoshi, o corpo deve ser liberado hoje no Japão, mas ele não sabe quanto tempo vai levar para chegar ao Brasil. O tio afirmou ainda que a família pretende evitar que o corpo do jovem seja cremado, como cogitou o governo japonês. ''A mãe quer vê-lo'', disse.
Rafael estava trabalhando há seis meses no Japão, em uma fábrica de autopeças, e pretendia retornar definitivamente ao Brasil dentro de três anos. ''Ele fez aniversário na sexta-feira, e antes de sair de casa para comemorar com os amigos ligou para Maringá e conversou com a mãe e os dois irmãos. Foi como uma despedida.'' O tio contou que o jovem também tentou falar com o pai, o corretor de seguros Maurício Kawakami, que aniversariava no mesmo dia, mas não conseguiu.
O acidente envolvendo os brasileiros aconteceu por volta das 5 horas da madrugada de sábado (o Japão está 11 horas à frente do horário de Brasília), mas aqui no Brasil os familiares só ficaram sabendo da tragédia no domingo de manhã. ''Os parentes que moram lá nos ligaram'', informou Satoshi. Entre os parentes, está a padrasto de Rafael, que está cuidando dos trâmites burocráticos para o traslado do corpo.
O jovem viajou para o Japão em abril, acompanhado da mãe e do padrasto. A mãe voltou há dois meses e ontem ainda custava a acreditar no que aconteceu. ''No começo ela não se conformava, agora já está ficando mais calma'', relatou Satoshi. Ontem à noite a família, que é adepta da Seicho-no-ie, filosofia originária do Japão, realizou uma cerimônia de despedida em um templo budista da cidade.
Cristina Harue Tamashiro Mizuta, irmã de Márcio, revelou que o corpo do irmão será cremado antes de ser trazido ao país natal. ''Temos um irmão mais velho que o Márcio, o Reinaldo, que está cuidando de tudo. Lá eles são muito rigorosos, estamos calculando que as cinzas só vão chegar no domingo ou na segunda-feira.'' Segundo Cristina, Márcio era o caçula de quatro irmãos e estava no Japão desde fevereiro.
A família Tamashiro morou em Maringá até 1988, quando mudou-se para Campinas (SP). Apenas Cristina, que é casada, ficou no Paraná. Ela contou que a família passou o dia de domingo tentando encontrar uma forma de preparar a mãe para a notícia. ''O Reinaldo nos avisou de madrugada, mas nós só contamos para ela no final da tarde, quando as TVs já estavam dando a notícia.'' Cristina seguiria ontem para Campinas, onde vai aguardar, com o resto da família, os restos mortais de Márcio.
Os outros brasileiros mortos no acidente são José Roberto Rodrigues Franco Junior, 21 anos; Alexsandro Teruo Nishioca, 24; Gustavo Saro Bergatin, 19; Julio Cesar Yugi Kina, 18; e Thiago Chinen Kazuo, 19. Todos trabalhavam na mesma fábrica, que decretou luto.

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