Fort de France (França) - As famílias das vítimas da tragédia aérea que deixou na terça-feira 160 mortos, 152 deles franceses da Martinica, se reuniram ontem para uma cerimônia religiosa ecumênica no aeroporto Lamentin, de Fort de France.
A cerimônia reuniu os representantes de todos os cultos que existem na ilha católicos, adventistas, evangélicos, ortodoxos, judeus e muçulmanos num clima de profunda tristeza.
Os ministros dos distintos cultos fizeram um breve discurso para expressar solidariedade com os familiares das vítimas. Cânticos cristãos, Kaddish (oração judaica pelos mortos) e declarações do Imã se sucederam.
Ao final da cerimônia, cada um dos representantes convidou os presentes a se darem as mãos e a observarem um minuto de silêncio. Silêncio interrompido apenas pelas lágrimas de uma mulher e de uma menina. ''Estou aqui por minha mãe. É o primeiro nome da lista: Chantal Amant'', diz Jacques Kevin, um jovem que foi à cerimônia com sua noiva.
Próximo a ele, uma idosa, com um chapéu negro e brincos dourados, chora em silêncio: não voltará a ver sua neta e o noivo dela. ''Até vermos os corpos, não podemos acreditar'', afirmou com ar abatido uma mulher que perdeu quatro parentes.
''Para a Martinica, que só tem 400.000 habitantes, esta tragédia aérea tem proporções gigantescas'', relata Evelyne, uma mulher de 50 anos que trabalha numa central de telefônica instalada no aeroporto. ''Todos fomos afetados. Não me atrevi a ver as listas a princípio e, finalmente... encontrei o nome de vários amigos'', lamenta.

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