São Paulo- A família de Lucia Maria Maia Botture, 51, morta em um acidente ocorrido na Argentina no dia 2, recorreu à Justiça para trazer o corpo dela para ser enterrado no Brasil. Segundo os parentes, Botture foi enterrada sem autorização da família, dois dias após o acidente, contra a recomendação do Consulado do Brasil na Província de Córdoba.
Botture era procuradora da Fazenda em Foz do Iguaçu e teria ido até a Argentina visitar o namorado, Horácio Alberto Brian, 56. Segundo relato do jornal ''La Nacion'', o acidente ocorreu por volta das 8h30 do dia 2. A vítima estava em um Renault com o namorado e uma outra mulher, María Etelvina Capelletti, 81 -que, segundo jornais argentinos, seria a mãe de Brian.
O veículo trafegava pela rodovia 9, próximo a Bell Ville, cerca de 200 km da capital da província -também chamada de Córdoba- quando bateu de frente contra uma camionete Hyundai, que vinha em sentido contrário. Os quatro ocupantes sofreram ferimentos leves. Butture e Capelletti morreram no local, e Brian foi encaminado com ferimentos no rosto e diversas fraturas no corpo para o Hospital Ramón Ceballos. Ele não corre risco de morrer.
Segundo Pedro Maia Butture, 54, um dos irmãos de Lucia, um filho de Brian teria procurado o Consulado do Brasil em Córdoba para comunicar a morte da brasileira. Mesmo sendo recomendado pelo Consulado a comunicar a família antes de qualquer atitude, ele providenciou o enterro de Lucia na última segunda-feira com um atestado de óbito emitido pelas autoridades argentinas.
O nome do filho de Brian que teria providenciado o enterro não é conhecido da família e não foi revelado pelo Consulado. ''Entendemos que num momento como este ele (o filho de Brian) deveria estar muito preocupado mas resultou numa precipitação muito grande que está nos causando muitos problemas jurídicos', afirmou Pedro. A mãe, de 78 anos, e a avó, de 93, estão inconformadas, segundo Pedro.
Um outro irmão de Botture, Luiz Cláudio, está em Córdoba. Ele contratou dois advogados e recorreu à Justiça para pedir a exumação do corpo da irmã e autorização para o traslado até o Brasil. O prazo para a decisão não é conhecido.
A família critica o que eles consideram ''pouca assistência'' do Consulado do Brasil em Córdoba. Segundo Pedro, o Consulado fez o contato avisando da morte, mas os parentes só souberam que Botture havia sido enterrada ao desembarcar na Argentina, na segunda.
''Graças a Deus não nos falta dinheiro para cuidar da vinda do corpo da minha irmã. O mínimo que deveríamos ter do Consulado é auxílio para resolver esses trâmites de liberação'', afirma Pedro.
Ivan Campos, vice-cônsul do Brasil em Córdoba, afirmou que não houve omissão de auxílio por parte do Consulado. Ele confirma que o filho de Brian procurou o Consulado e recebeu a recomendação de não fazer o enterro sem a autorização da família no Brasil. ''Não podemos impedir um enterro. Não é um assunto consular'', disse Campos.
Botture formou-se em direito pela PUC-PR (Pontifícia Universidade Católica), localizada em Curitiba, no Paraná.

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