Família tenta transferir Rodrigo Gularte
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sábado, 17 de janeiro de 2015
Adriana De Cunto<br> Reportagem Local 
Curitiba - Familiares de Rodrigo Muxfeldt Gularte, o paranaense que foi condenado à morte na Indonésia por tráfico de drogas, estão tentando transferi-lo da penitenciária para um hospital psiquiátrico. Ontem, a prima dele, Angelita Muxfeldt, viajou para Jacarta, capital daquele país, para conseguir autorização do governo indonésio para a internação. Segundo os familiares de Rodrigo, ele está sofrendo de esquizofrenia. Com ajuda do Itamaraty, o curitibano passou por tratamento psicológico e laudos médicos confirmam a doença. Conseguir a internação será importante para evitar a execução da pena de Rodrigo. A previsão das autoridades da Indonésia é que ele seja fuzilado em fevereiro.
Recentemente, a irmã mais velha de Rodrigo, Adriana Gularte, mandou uma carta à Anistia Internacional pedindo ajuda. "Tivemos a noticia de que a execução do Marco Archer está marcada para este mês de janeiro e a do Rodrigo, meu irmão, para fevereiro próximo. Eu e minha mãe estivemos em agosto do ano passado na Indonésia para vê-lo. Ele está mentalmente doente, a Embaixada (brasileira) providenciou tratamento psicológico para ele, de onde resultou laudo médico que atesta/confirma que ele está com esquizofrenia. O Itamaraty dispõe destes laudos e demais informações. Venho por meio desta carta fazer um pedido de socorro, urgente, para que esta organização de Anistia Internacional interceda junto ao Governo da Indonésia e apele pela vida destes dois brasileiros", escreveu.
Ontem, a seccional do Paraná da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) divulgou uma nota contra a execução dos dois brasileiros detidos na Indonésia, assinada pelo presidente Juliano Breda e outros três membros da entidade. Diz a nota: "Como é de conhecimento geral, dois brasileiros encontram-se na iminência de serem executados na Indonésia, tendo sido condenados à morte em razão de crime que pela sua natureza não comporta, de forma alguma, a pena máxima, o que, consoante afirmação do diretor executivo da Anistia Internacional Brasil, desumaniza a Justiça e brutaliza o Estado".
Citando Atila Roque, da Anistia Internacional, a OAB lembra que a "pena de morte é uma violação aos direitos humanos, atentando contra princípios básicos de dignidade, como o direito à vida e a proibição de punições cruéis, desumanas e degradantes. É considerada assim em quatro tratados internacionais e pela Assembleia Geral da ONU, que desde 2007 advoga moratória global em execuções".
A Ordem dos Advogados faz um apelo a autoridades, instituições, organizações de direitos humanos, órgãos e profissionais da imprensa, "enfim, a todos que se comovem com a situação desses dois brasileiros, que envidem todos os esforços ao seu alcance para demover a Indonésia de tão cruel execução, totalmente desproporcional ao delito em questão".
O assessor de Direitos Humanos da Anistia Internacional, Maurício Santoro, explica que a entidade está apostando na força da mobilização internacional e lembra que a Indonésia tem mais a perder do que a ganhar com a pena de morte. Se por um lado, o novo presidente, Joko Widodo, pensa em mostrar que está conduzindo com mãos de ferro a questão do tráfico de drogas, por outro lado, o País, que depende muito do turismo, pode ser prejudicado por uma propaganda negativa. "A Indonésia está na contramão da história. Setenta por cento dos países não aplicam a pena de morte", afirma.


