Paris- A família e companheiros de Ingrid Betancourt, sequestrada há seis anos pela guerrilha colombiana das Farc, realizaram uma comovente entrevista à imprensa ontem em Paris, em meio às novas informações sobre a saúde deteriorada da refém franco-colombiana, fornecidas pelos ex-parlamentares libertados na quarta-feira.
O filho de Ingrid Betancourt, Lorenzo tentou conter as lágrimas. ''Mãe, a pessoa que mais amo no mundo, está morrendo'', ele começou. Ao seu lado, a ex-refém das Farc, Consuelo Gonzalez, mostrava-se visivelmente emocionada.
A família e os amigos de Ingrid Betancourt receberam com pesar as novas e terríveis notícias relatadas pelos reféns libertados anteontem, que descreveram uma mulher ''muito doente, exausta e maltratada pelos sequestradores''.
''Não há mais tempo, minha mãe, a pessoa que mais amo no mundo, está prestes a morrer'', repetiu Lorenzo Delloye, 19 anos.
O silêncio tomou conta da sala lotada de um grande hotel, onde a entrevista coletiva acontecia. ''Se não se agir rapidamente, mamãe vai morrer. Estamos numa situação de emergência'', acrescentou o jovem.
E retomou: ''apelo a toda a comunidade internacional, a todos aqueles que estão nos acompanhando, a agir pelo bem dos reféns, em prol da liberdade, da vida'', diz ele.
Ao seu lado, a ex-parlamentar Consuelo Gonzalez, liberta em janeiro junto com a ex-diretora de campanha de Ingrid Betancourt, Clara Rojas, lentamente tomou da palavra.
Ela falou primeiro de sua ''imensa alegria'' pela libertação dos quatro ex-parlamentares. E desmoronou em lágrimas. ''Presidente Uribe, dê-nos a mão para que nossos companheiros voltem à vida. Por favor. Não deixe que eles morram...''.
O ex-marido de Ingrid, Fabrice Delloye, diplomata de formação, fez um apelo ao presidente colombiano e a comunidade internacional em nome de todas as famílias dos reféns. ''Pedimos aos chefes de Estado do mundo inteiro a prestar seu apoio ao presidente Alvaro Uribe de modo que aceite discutir corajosamente - e o mais depressa possível - as condições de um acordo humanitário'', disse.

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