Família de Jean se reúne com comissão e vê fita
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 29 de setembro de 2005
Folhapress 
Londres - Em seu terceiro dia em Londres, a família de Jean Charles de Menezes, o brasileiro morto por engano pela polícia britânica em julho passado, se reuniu ontem quase quatro horas com a direção da Comissão Independente de Reclamações contra a Polícia (IPCC), que investiga o caso.
Maria Otone de Menezes e Matozinhos Otone da Silva, pais de Jean Charles, e Giovani, irmão dele, assistiram às imagens do circuito interno de TV da estação de metrô de Stockwell, onde o eletricista mineiro foi confundido com um terrorista e baleado sete vezes na cabeça. ''Foi muito angustiante ver como o Jean Charles estava relaxado e normal, especialmente à luz do comunicado feito imediatamente após a morte'', afirmaram os familiares numa nota divulgada depois do encontro.
As imagens do circuito interno são uma peça crucial da investigação, pois põem por terra a versão inicial da polícia de que a vítima foi alvejada porque vestia um casaco grosso e entrou apressada e nervosa na estação, pulando as catracas na entrada. Vazado possivelmente por algum funcionário da IPCC, o único órgão além da polícia a ter acesso ao seu conteúdo, o vídeo foi a base da reportagem da emissora britânica ITV, que mudou o rumo do caso.
Questionada se reconheceu facilmente o filho nas imagens, Maria de Menezes balançou a cabeça positivamente e chorou. Já Giovani disse estar ainda mais convicto de que a polícia mentiu. ''Agora tenho certeza disso.'' A nota que divulgaram diz ainda que a família ainda tem muitas perguntas a fazer e que o encontro de ontem foi o primeiro de uma série.
Também num comunicado curto, o diretor da IPCC, Nick Hardwick, afirmou ter explicado aos familiares de Jean Charles como a investigação está sendo conduzida e que lhes passou as informações atualizadas sobre o processo, acrescentando que esses dados são confidenciais.


