Londres - Os familiares do brasileiro Jean Charles de Menezes, morto pela Scotland Yard em Londres, em julho do ano passado, ao ser confundido com um suspeito de terrorismo, querem se reunir com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. ''Um encontro com o Lula em Londres vai significar muito para a busca de justiça no caso do Jean'', disse o primo de Menezes, Alex Alves Pereira, logo após entregar uma carta formalizando o pedido de reunião ao consulado brasileiro na capital britânica.
''O apoio do presidente, cuja popularidade aqui no exterior é muito grande e sua trajetória pessoal é alvo de muita admiração, seria muito importante'', justificou. Por enquanto um encontro não está na agenda oficial de Lula no Reino Unido. Numa coletiva à imprensa antes de os familiares solicitarem a reunião com Lula, o embaixador brasileiro em Londres, José Maurício Bustani, afirmou que qualquer pedido seria avaliado pela Presidência da República, mas lembrou que os pais e o irmão de Menezes residem no Brasil.
Alves Pereira argumentou que a família ficará decepcionada em caso de negativa. ''Se houver uma negativa, certamente não será do presidente, mas do pessoal que está em volta dele.''
O Itamaraty quer evitar que o caso Menezes ganhe relevância durante a viagem presidencial, de 7 a 9 de março, ofuscando outros assuntos como as negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC) e os acordos que serão anunciados pelos dois países. Mas será difícil, principalmente pelo interesse da imprensa britânica sobre o tema.
Desculpas - O colunista Richard Kay, do tablóide ''Daily Mail'', afirmou que a rainha Elizabeth II vai apresentar desculpas veladas pela morte do brasileiro durante o banquete oferecido a Lula no Palácio de Buckingham. Kay disse que a monarca não citará Menezes, mas fará comentários gerais sobre os atentados terroristas na capital britânica no ano passado e destacará a morte de ''inocentes''.
A mensagem da rainha, acrescentou o colunista, terá a intenção de passar a mensagem que as boas relações entre os dois países podem ser fortalecidas por causa das circunstâncias trágicas que foram compartilhadas após os ataques. A morte de Menezes gerou turbulência na relação entre os dois países no ano passado, com o governo brasileiro irritado com a atitude inicial das autoridades britânicas no caso. Desde então, os ânimos se acalmaram, mas o tema é o mais delicado da visita de Lula a Londres na próxima semana.
''Os procedimentos legais para apurar o que ocorreu estão em curso, consideramos que eles estão correndo de uma forma correta e não seria correto interferir num assunto interno do Reino Unido'', disse uma fonte do Itamaraty.
Alves Pereira disse que um pedido de desculpas apresentado pela rainha seria ''importante, mas é preciso ver os responsáveis pela morte serão mesmo punidos pela Justiça''. No momento, a promotoria britânica está avaliando se algum policial envolvido na morte de Menezes será processado judicialmente. A decisão deverá ser anunciada até o final de abril. Além disso, a comissão independente que investiga erros policiais, a IPCC, está apurando se os comandantes da Scotland Yard manipularam as informações em torno do caso.

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