Família de Jean pede punição para policiais
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quarta-feira, 27 de julho de 2005
France Presse 
Londres - A família do brasileiro Jean Charles de Menezes, morto por engano pela polícia britânica, pediu ontem que os responsáveis por sua morte sejam punidos, revoltando-se ao saber que um dos policiais envolvidos no episódio havia tirado folga. Jean Charles de Menezes, 27 anos, recebeu oito tiros - sete na cabeça e um no ombro - na última sexta-feira, quando a polícia o confundiu com um terrorista suicida numa estação de metrô de Stockwell, no sul de Londres.
Patricia da Silva Armani, 31, prima de Jean Charles, pediu que os policiais envolvidos sejam punidos. ''Quero que a justiça seja feita porque um homem inocente foi morto porque a polícia pensou que ele era um terrorista'', disse ela em entrevista à imprensa em Londres antes de acompanhar o corpo até o Brasil. ''Pedimos que o governo britânico puna os policiais envolvidos. Imploro para que eles (as autoridades) punam os responsáveis''.
O corpo de Jean Charles está sendo trasladado para o Brasil num vôo da Varig, com destino a São Paulo, que decolou às 18h de Londres (hora de Brasília), segundo um porta-voz do consulado-geral do Brasil em Londres. O corpo depois será levado até Governador Valadares (MG). Jean Charles, que era eletricista, foi morto depois de ser perseguido por policiais à paisana.
A família negou que o brasileiro estivesse vestindo um casaco grosso e que tenha pulado a barreira do metrô, como foi relatado. Vivien Figueiredo, 22 anos, contou que policiais teriam dito a ela que Jean Charles usava um casaco de algodão e usou um ticket para entrar na estação de metrô.
Vivian Figueiredo, falando por meio de um tradutor, ficou indignada de saber que um policial envolvido na morte estava de folga. ''Não é certo que essa pessoa aproveite sua folga enquanto nós estamos sofrendo'', disse ela. ''Queremos saber o que aconteceu a essa pessoa, queremos ver fotos dessa pessoa. Esse policial não deveria estar de folga neste momento, deveria estar preso'', acrescentou.
Os quatro membros da família do eletricista estavam acompanhados na entrevista da advogada de direitos humanos Gareth Peirce. ''Estamos chocados com o fato de que a expressão atirar para matar esteja sendo usada como se fosse uma expressão da lei'', disse Peirce.
Ela acrescentou que personalidades políticas importantes opinaram sobre o caso no inquérito aberto pela Comissão Independente de Queixas da Polícia. A família de Jean Charles de Menezes pediu também que a polícia pare de usar a política do atirar para matar.
O corpo do eletricista será levado de Governador Valadares a Gonzaga (MG), sua terra natal, na manhã de hoje, num carro aberto do Corpo de Bombeiros. O cortejo percorrerá os 90 quilômetros do percurso seguido por moradores do pequeno município, que planejam montar uma caravana. Ontem, a família do rapaz recebeu a solidariedade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que telefonou para transmitir suas condolências.


