Desde que pegou o jornal na porta de casa, no início da manhã da última segunda-feira, a quituteira Antonia Primo Mozer, de 62 anos, de Cambé (13 quilômetros a Oeste de Londrina), está em estado de pânico. Sua filha, Liliana Primo, de 43 anos, e sua neta, Valentina Tatiana Terraciano, de 15, estavam passando férias na Tailândia e podem ter sido uma das milhares de vítimas do terremoto que atingiu a Ásia no final de semana. Antonia não assistiu TV no domingo à noite, e só soube da tragédia no dia seguinte, às 6h30, ao recolher o exemplar da Folha.
''Imediatamente acordei todos em casa, e começamos a tentar contato com a Liliana e com o marido dela, que ficou na ilha de Stromboli (sul da Itália). Só conseguimos falar com o marido dela por volta das 11 horas, e ele também estava desesperado, porque não tem como sair da ilha e não consegue notícias. Ligamos várias vezes para o celular dela, mas ninguém atende.'' Liliana e o marido têm uma loja de produtos importados na ilha italiana, conhecida por seus vulcões ativos. A filha Valentina mora em Nápoles, com uma babá.
A última vez que Antonia falou com a filha foi no último dia 15, véspera de embarcar para a Tailândia. ''Ela ficou de me ligar no Natal, mas até agora não recebi nenhum telefonema.'' A quituteira já fez contatos com o Itamaraty, mas foi informada que como Liliana tem dupla cidadania, a localização pode ser mais difícil. ''Também tentamos falar com a Embaixada da Itália na Tailândia, mas como não falamos italiano com fluência, a comunicação fica difícil'', relata. A família está à procura de alguém que domine a língua para fazer os contatos com a Embaixada.
A comerciante mora na Itália há 21 anos, e visita o Brasil a cada dois anos, quando aproveita para fazer compras de artesanato para sua loja. A próxima viagem à terra natal estava prevista para o final de março. Para Antonia, o pior de tudo é não saber o que está acontecendo com a filha e a neta. ''Sei que daqui não podemos fazer nada, mas precisamos encontrar uma forma de ter notícias. Se elas estavam na praia, provavelmente estavam sem documentos, e aí a identificação vai ser ainda mais difícil'', preocupa-se.
Antonia não sabe em que local do país a filha e a neta estavam, mas acredita que o local escolhido por ambas para passar as festas de fim de ano foi a ilha de Phi Phi, onde morreram a conselheira da Embaixada do Brasil na Tailândia, Lys Amayo de Benedek D'Avola, de 48 anos, e seu filho, de 10.
As duas mortes foram confirmadas ontem pelo Itamaraty. Segundo nota divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores, o embaixador do Brasil na Tailândia, Marco Antônio Diniz Brandão, informou terem sido encontrados os corpos dos dois na ilha de Phi Phi. Ele disse que não há previsão para os corpos chegarem ao Brasil.
O Itamaraty recebeu mais de 300 ligações de pessoas em busca de familiares, mas o número de brasileiros procurados por suas famílias no Brasil caiu. Ontem eram cerca de 90 pessoas. Isso porque as pessoas têm entrado em contato com suas famílias.
O Ministério colocou à disposição os fones (61) 411-6999 e (61) 9976-8205 (plantão) para pessoas que queiram informações ou dados sobre o paradeiro de brasileiros na região atingida pelo maremoto no sul da Ásia.

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