Curitiba - O casal de libaneses naturalizado brasileiro Akil Merhi e Ahlam Jabir e seus dois filhos nascidos em Foz do Iguaçu, Hadi, de 8 anos, e Fatma, de 4 anos, morreram na noite de quarta-feira, em um ataque aéreo das Forças de Defesa de Israel contra Srifa, no sul do Líbano. Eles moravam no Brasil há cerca de 10 anos e passariam um mês em férias, no Líbano, visitando parentes.
O irmão de Akil, Sobhi Hussein Merhi, também comerciante em Foz do Iguaçu, chocado com a tragédia, disse que o ataque aconteceu por volta das oito e meia da noite (duas e meia da madrugada no Brasil), quando Akil levava os filhos para o quarto. Cinco mísseis atingiram a casa que Akil havia levado cinco anos para construir, contou Sobhi.
Akil e a mulher costumavam aproveitar o mês de julho para visitar o Líbano, onde moram seus pais e vários outros familiares. O sepultamento da família será feito em Srifa. Além de inconformados com a tragédia, os familiares que estão no Brasil não poderão acompanhar o funeral. ''Não estamos conseguindo ir para lá'', disse Sobhi. O aeroporto internacional de Beirute também foi alvo de ataques israelenses.
Sobhi admitiu temer novos ataques no Líbano, mas afirmou que seus familiares não têm para onde ir. ''Só existe a proteção de Deus. É nossa terra e temos que resistir até o fim. Não queremos vingança por terem tirado a vida de crianças. Queremos paz e justiça'', lamentou Sobhi.
O cônsul-geral do Brasil no Líbano, Michael Gepp, diz que o Consulado está providenciando auxílio para os brasileiros que quiserem deixar o Líbano. Em relação aos quatro brasileiros mortos, o Itamaraty informou que os familiares não fizeram qualquer contato pedindo assistência consular, mas o Ministério das Relações Exteriores acompanha o caso.
Em nota oficial divulgada de ontem, o Itamaraty informou que o ministro Celso Amorim instruiu o cônsul-geral do Brasil em Beirute a enviar agente consular a Srifa para obter informações adicionais e prestar todo o apoio necessário. ''O Brasil condena o ataque perpetrado pelas forças de Israel, que constituiu reação desproporcional e levou à perda de vidas inocentes entre a população civil. O Brasil reitera sua oposição a atos de represália que apenas contribuem para deteriorar a delicada situação na região'', diz, ainda, a nota.

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