São Paulo - O casal Izael Passoni, de 42 anos, Cleide Mara, de 39, e os filhos Weriston, de 20, e Laine Kellen, de 16, estão entre as 17 vítimas fatais de uma inundação em Arzachena, no norte da ilha da Sardenha, na Itália, na madrugada de ontem.
"Essas coisas Deus permite que aconteçam e não temos o que fazer", disse um resignado Abel, por telefone, em seu sítio de dez alqueires em Divinolândia (a 264 km de São Paulo), na divisa com Minas Gerais. "E não tem mais nenhum para consolar a gente. Foram todos", declarou o agricultor. "Mas eu encaro que, graças a Deus, Ele preparou a gente e está dando apoio a todos nós. Com muita dificuldade, nós vamos vencer essa luta."
A família brasileira dormia no porão de uma mansão, segundo Abel, quando a água da chuva tomou o local e os afogou. "A água subiu três metros acima do nível do porão. Teve gente que tentou ligar para eles, para avisar da tempestade, mas lá não pega telefone. Eles não acordaram."
Os quatro haviam se mudado havia menos de dois meses para o local, onde não pagavam aluguel. Em troca, Izael cuidava da casa nos fins de semana. De segunda a sexta, trabalhava de jardineiro para um italiano e ganhava 80 euros por dia. "Falei com ele [Izael] no domingo e ele estava um pouco feliz, porque tinha se mudado para lá e parado de pagar aluguel", contou Abel.
O pai de Izael diz que o filho, que estava com a família havia oito anos na Europa e já tinha morado em Arzachena e Luogosanto, na Sardenha, e em Lanzarote, na Espanha, planejava voltar ao Brasil em novembro de 2014.
Além dos brasileiros, outras 13 pessoas morreram na região de Olbia. Em entrevista à Radio1, o prefeito de Olbia, Gianni Giovanelli, afirmou que uma "autêntica tromba d'água" caiu sobre a cidade. Em poucos minutos, rios transbordaram e o nível da água em algumas partes da cidade chegou a mais de três metros de altura.

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