Curitiba - O consulado do Brasil em Houston (Texas) ainda não conseguiu contato com a publicitária curitibana Mônica Vassão, que estava entre as millhares de pessoas abrigadas no Superdome em Nova Orleans, porém sabe que ela saiu do local com segurança. Mônica pegou um ônibus ontem à tarde para Dallas, no Texas, onde deveria chegar no final da noite. Mônica também não entrou em contato com a família no Brasil. Mesmo sabendo que a filha já está segura, a mãe da publicitária, Vera Vassão, está ansiosa por notícias. ''Não vejo a hora de ela ligar'', afirmou.
O vice-cônsul do Brasil em Houston, Luciano de Oliveira, informou que ainda não é possível saber o estado de saúde da brasileira. ''Mas as pessoas que estão vindo de lá para cá estão chegando desidratadas'', contou. Como são mais de 25 mil pessoas desabrigadas, as equipes de resgate resolveram levar parte para Houston, parte para Dallas e parte para Santo Antonio. ''Ainda não temos registro de nenhum brasileiro que tenha chegado no Texas até agora. Mas acreditamos que vamos receber vários'', afirmou Oliveira.
A história vivida pelas duas brasileiras que ficaram entre as milhares de pessoas ilhadas em Nova Orleans, nos Estados Unidos, por conta das enchentes provocadas pela passagem do furacão Katrina, tem sido acompanhada de longe pelo consulado brasileiro em Houston. O oficial de consularia Cyro Cardoso conta que o acesso a Nova Orleans é impossível. Os acompanhamentos precisam ser realizados através da cobertura da imprensa, do contato com os familiares e de conversas informais com autoridades.
''Muitos brasileiros que conseguiram sair de Nova Orleans antes da passagem do furacão estão vindo aqui para tentar descobrir se alguém ficou para trás. Só temos notícias de como estão as duas brasileiras que ficaram no estádio Superdome e que foram transferidas para um hotel. Ainda não sabemos se elas estão bem de saúde. Até porque ninguém chega a qualquer lugar na cidade'', contou ele, em entrevista à Folha. Oitenta por cento de Nova Orleans está embaixo d'água.
Apesar das mortes no Superdome, da desnutrição e do calor excessivo, Cardoso acredita que a situação no estádio seja melhor do que na cidade. ''A situação não é boa e foge do controle. Ônibus estão retirando a população a todo momento. Temos muitos doentes na cidade em estado grave. Não sabemos o que houve com cada um deles. Nem ao menos se existem outros brasileiros entre os sobreviventes. A situação da cidade é ainda pior do que no estádio porque a Guarda Nacional tem liberdade de atirar em qualquer pessoa, para evitar saques. A situação da segurança é caótica'', destacou o oficial.

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