Benê Bianchi
O terremoto da Turquia abalou a tranquilidade da família Dutra da Silva, que vive em Ribeirão do Pinhal, cidade de 13 mil habitantes localizada no Norte Pioneiro do Paraná (a 110 quilômetros de Londrina). O músico Abrão Dutra da Silva, de Ribeirão do Pinhal, mas que vive em Berlim (na Alemanha), passava férias com a mulher e filhos em Izmir, localizada no litoral da Turquia, no Mar Egeu, terra da sua esposa.
O drama da família começou logo que a notícia do terremoto chegou ao Brasil e foi ainda mais penoso porque eles confundiram a cidade de Izmir com Izmit, bastante atingida pelo terremoto. Mesmo não sendo atingida, Izmir teve problemas sérios com a telefonia, o que impediu Abrão de mandar notícias.
‘‘Foram momentos de muita agonia’’, resume Sônia Dutra da Silva, irmã do músico. Ela conta que, junto com os irmãos e os pais, passou momentos difíceis em busca de notícias do irmão. Na quinta-feira à noite, após tentar informações com amigos da Alemanha sem sucesso, Sônia entrou em contato com a Redação da Folha de Londrina/ Folha do Paraná, que a ajudou a entrar em contato com agências internacionais de notícia.
Na redação da Folha e nos contatos com as agências internacionais, Sônia soube que o terremoto não havia atingido Izmir. ‘‘Mesmo assim continuamos bastante preocupados, pensando na possibilidade deles estarem passeando em outra região no momento do terremoto.’’ Durante a noite de quinta-feira, a Folha acionou um serviço de ‘‘resgate virtual’’ da BBC (v. abaixo) para obter notícia de Abrão, através do provedor Universo Online. Logo de manhã diversos e-mails (correio eletrônico) da Turquia retornavam com mensagens de solidariedade à família, confirmando a tranquilidade em Izmir, mas sem notícias de Abrão. A calma só voltou à casa da família Dutra da Silva ontem pela manhã, depois que Abrão chegou em Berlim e de lá ligou para os pais.
‘‘Ele contou que a prefeitura de Izmir não permitiu que ninguém dormisse dentro das casas. Ele, a mulher e os filhos tiveram que dormir na praia todos esses dias, até conseguir lugares em vôos que os levasse de volta à Alemanha’’, relata Sônia.

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