A capital hondurenha, Tegucigalpa, com quase um milhão de habitantes, enfrenta agora a falta de água potável depois da passagem devastadora do furacão Mitch, que destruiu a canalização que abastecia a cidade.
‘‘Dê-me um baldezinho de água’’, é uma das frases que mais se ouve nas ruas de Tegucigalpa, onde pessoas perambulam com vasilhas na mão.
O Serviço Autônomo Nacional de Águas e Saneamento (SANAA) utiliza caminhões-pipa para distribuir água aos numerosos bairros afetados, mas isso é insuficiente.
Os proprietários particulares deste tipo de veículo aproveitam das necessidades do povo para obter lucro, vendendo água a preços elevados, denunciam os angustiados moradores.
Grande parte do sistema de aquedutos de Tegucigalpa foi destruída pelas inundações causadas pelo furacão Mitch, inclusive as principais tubulações, responsáveis por 70% da água consumida pelos moradores, que vem de duas das maiores represas do país. O subgerente da SANAA, Gustavo Aguilar, explicou que são necessários investimentos de 100 milhões de dólares para reparar o sistema. ‘‘A população deve ter calma, existem agora 55 cisternas, umas particulares e oito da SANAA’’, explicou.
A instituição atende prioritariamente as necessidades dos hospitais e dos abrigos de refugiados, para evitar focos epidêmicos.
A situação de anormalidade vivida na capital hondurenha acentua-se durante a noite, quando pára a atividade comercial, devido ao toque de recolher imposto pelo governo há nove dias para evitar os saques.
A partir das 8 da noite, o movimento de carros é mínimo e, a partir das 9 (hora em que entra em vigor a medida de exceção) e até as 3 da madrugada do dia seguinte, Tegucigalpa é uma cidade desolada.
Fim do ano letivo A destruição total de 2.500 das 10 mil escolas de Honduras pelo furacão Mitch levou a suspensão definitiva do ano letivo, revelou ontem o ministro da Educação Pública, Ramón Cálix. Ele disse que a destruição de 25% da infra-estrutura escolar atingiu 250 mil alunos, obrigando a decretar o encerramento do ano letivo primário e secundário.
A destruição provocada pelo Mitch incluiu o prédio do ministério da Educação, na cidade de Comayaguela, vizinha a Tegucigalpa, onde foi perdida importante documentação e material informático.
Para poder iniciar o próximo ano letivo em fevereiro de 1999, o governo hondurenho solicitará um crédito de 30 milhões de dólares ao Banco Mundial para reparar aulas e construir escolas destruídas por completo, indicou o ministro.
Isolamento O Fundo Hondurenho de Investimento Social (FHIS) advertiu ontem que cerca de 10 mil pessoas estão isoladas no departamento de Colón (norte), onde 47 mil necessitam urgentemente de alimentos. O organismo estatal precisa que são necessários pelo menos 230 mil quilos de alimentos, nos próximos sete dias, para atender os desabrigados pelo furacão Mitch no departamento de Colón.

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