Bancoc, Tailândia - A comunidade internacional acelerou o envio de ajuda humanitária às áreas da Ásia atingidas pelo maremoto do dia 26 de dezembro, cujo número de mortos passou de 126 mil. Mas a falta de coordenação dos trabalhos está dificultando a distribuição dos alimentos e remédios.
Na cidade indonésia de Medan, estratégica para a distribuição de suprimentos à Província de Aceh - a mais afetada pelo maremoto -, milhares de caixas cheias de água potável, alimentos, cobertores e outros itens de primeira necessidade não podiam ser descarregadas de um avião por ''falta de coordenação'', segundo as autoridades locais. A Indonésia estima que tenham morrido 100 mil pessoas no país.
No sul da Índia, sacos de arroz estavam jogados na rua de alguns vilarejos que receberam comida além do necessário, enquanto outras cidades esperavam horas para receber os alimentos.
A operação de ajuda, provavelmente a maior já realizada na história, enfrentava portos destruídos, queda de fornecimento de energia, estradas alagadas e cidades arrasadas para salvar milhões de pessoas da desidratação e de doenças e interromper a espiral de mortes.
''A área toda ainda está um caos. Navios estão chegando a ilhas carregados de cadáveres'', disse a chanceler sueca, Laila Freivalds, ao visitar a Tailândia. ''Em toda a região a projeção é que tenham morrido 200 mil pessoas.''
O prédio do governo da Província tailandesa de Phuket utilizado para dar apoios às vítimas do tsunami fechou sexta-feira pela primeira vez à meia-noite - costumava funcionar até as 3h da manhã.
Não houve festa de Ano Novo e funcionários com expressão de desalento avisavam que não havia mais esperança de encontrar a maioria dos 6.541 desaparecidos no sul da Tailândia, número confirmado em um painel de papel anotado com caneta hidrográfica que toma a parede do centro para familiares das vítimas.
Em dois dias, as estimativas do governo tailandês, de que o número de mortos chegaria a 2.000 pessoas, foi pulverizada. Foram confirmados 4.375 mortes, 2.230 de estrangeiros, principalmente suecos, nas seis Províncias do sul do país atingidas pelo maremoto e destino adorado por turistas - Phuket, Krab, Phang Nga (onde foram encontrados a maioria dos corpos), Trang, Ranong e Saturn.
Há desconfiança entre colaboradores da operação de que o governo tailandês, criticado nos jornais pela desorganização no socorro às vítimas e preocupado com as perdas para o turismo da região, estivesse subestimando as mortes.
Segundo Chatchay Thaikla, um dos especialistas que auxiliam o governo tailandês nas operações pós-desastre, os helicópteros enviados à região deverão priorizar, agora, o transporte das forças de resgate e o auxílio aos sobreviventes. Entre os desaparecidos está o empresário italiano Antonio D'Avola, marido da diplomata brasileira Lys Amayo D'Avola, morta pelo tsunami junto com o filho de dez anos.
Um mural de fotos dos que se perderam nas ondas gigantes ocupa toda a face de um outro prédio da administração de Phuket. Em alguns, marcado em caneta colorida e letras garrafais, a palavra ''founded'' (encontrado, em inglês).
Segundo a coordenadora residente da ONU na Tailândia, a brasileira Joana Merlin-Scholtes, os milhares de corpos aguardando identificação são um grave problema. Cerca de cem especialistas forenses foram enviados à área das seis Províncias para colher amostras dos corpos para analisar seu DNA e comparar com amostras entregues pelas famílias, como fios de cabelo e unhas.
Ontem chegaram 50 contêineres refrigerados com capacidade para 50 caixões ou 72 sacos para cadáveres cada um, ainda insuficientes. Os corpos vêm sendo guardados em templos budistas e em necrotérios de hospitais.
Segundo a coordenadora, a ONU doou formol e sacos plásticos, mas o material chegou quando os corpos já estavam em estado avançado de decomposição.
O governo tailandês divulgou um pedido para que sejam doados principalmente urnas de metal e contêineres refrigerados. Segundo Scholtes, os custos são altíssimos - cada urna chega a US$ 2 mil.

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