Facebook remove páginas sobre guerra
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 07 de fevereiro de 2014
Diogo Bercito<br>Folhapress 
Jerusalém, Israel - Em meio ao conflito civil na Síria, em que mais de 100 mil pessoas já foram mortas, a internet tem sido uma das principais ferramentas da oposição, que monitora e divulga pela rede os confrontos ao redor do país.
Grupos como os Comitês Locais de Coordenação enviam diariamente relatórios de mortes por província, e insurgentes reúnem informações em grupos de discussão on-line. Mas esse recurso estratégico está sendo ameaçado, segundo ativistas, pelas normas de conteúdo do Facebook.
De acordo com dissidentes, páginas com informação sobre o conflito têm sido removidas pelo site por violar suas normas de comportamento. Assim, dizem ativistas, a história de sua revolução está sendo apagada.
Somem, com essas páginas, os relatos de movimentos pacíficos e de organizações não governamentais, de acordo com uma reportagem publicada pela revista "The Atlantic".
Entre as informações perdidas estão informações a respeito do ataque químico do ano passado, em um subúrbio de Damasco, uma grave perda para a narrativa histórica.
Apesar das críticas, o Facebook enfrenta uma difícil tarefa na moderação de seu conteúdo, em que suas regras evitam, por exemplo, imagens de violência explícita. Também é política da empresa desautorizar a publicação de conteúdo de grupos terroristas.
Páginas podem ser deletadas em diversas situações, incluindo pela solicitação de usuários, que informam o Facebook sobre conteúdos impróprios.
O grupo pró-regime Exército Eletrônico Sírio afirma ter usado essa estratégia para retirar da internet o conteúdo da oposição. O Facebook afirma, porém, que páginas só são apagadas após as informações serem revistas por um ser humano, e não automaticamente.
A insurgência foi iniciada na Síria em março de 2011, com protestos pacíficos. Após a repressão do regime, as manifestações se espalharam por todo o país, dando início a um conflito violento.


