A unidade de Al-Chifaa, no Sudão, bombardeada no final de agosto por caças norte-americanos, não fabricava produtos relacionados a uma guerra química, ao contrário do que afirma Washington. O assunto está detalhado num relatório do embaixador alemão em Cartum citado pela revista alemã Der Spiegel que circula amanhã.
‘‘A fábrica produzia principalmente antibióticos, medicamentos contra a diarréia e a malária, preparados para transfusões e produtos veterinários’’, segundo o informe de Werner Daum citado por Der Spiegel.
‘‘Não se pode descrever a empresa como uma fábrica química. Muitos farmacêuticos e representantes comerciais a visitavam com frequência e a matéria-prima utilizada provinha da China e da Europa’’, segundo Daum.
Os Estados Unidos destruíram a fábrica de Al-Chifaa porque tinham certeza de que produzia componentes para o gás neurotóxico VX.
Protestos Milhares de pessoas voltaram às ruas de Cartum, ontem, para protestar contra o bombardeio pelos Estados Unidos da fábrica de produtos farmacêuticos, em meio a um discurso antiamericano pronunciado pelo presidente Omar el Bechir.
‘‘Os Estados Unidos cometeram um grave erro ao declarar guerra a nosso país’’, afirmou Bechir, ante 5.000 militares e funcionários civis, durante outra manifestação nas ruas da capital contra a destruição da fábrica de Al Chifaa, ocorrida no último dia 20.
‘‘Deus nos dará as forças necessárias para derrotar os Estados Unidos. Não estamos sozinhos, todos os países islâmicos nos apóiam’’, disse o presidente sudanês aos manifestantes, que o ouviam ante a entrada do quartel general do exército sob uma chuva torrencial.
Talebã nega O líder talebã Mohammad Omar negou ontem as acusações segundo as quais sua milícia fundamentalista conceda asilo a terroristas no Afeganistão, e se declarou disposto a conversar com as autoridades internacionais sobre o assunto, segundo informou a agência Afghan Islamic Press (AIP).
‘‘Não há nenhum terrorista em nosso país, e não fornecemos asilo a nenhum deles, declarou Mohammad Omar em resposta ao apelo feito pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) às facções afegãs para que não dêem proteção a terroristas.

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