Fábrica de proteína leva prêmio
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quarta-feira, 07 de outubro de 2009
Folhapress 
São Paulo - O Prêmio Nobel de Química de 2009 foi concedido, ontem, a três cientistas que explicaram átomo por átomo um processo fundamental para a biologia: a transformação das informações do DNA em proteínas, moléculas que efetivamente põem a vida em movimento. Ada Yonath, 70, Venkatraman Ramakrishnan, 57, e Thomas Steitz, 69, determinaram a estrutura dos ribossomos, as fábricas de proteínas das células.
O trabalho foi considerado importante porque o DNA na verdade carrega apenas instruções. O ribossomo é o local onde o código genético se transforma em hormônios, anticorpos ou enzimas. O trabalho vencedor do Nobel impactou a medicina, pois a estratégia de muitos antibióticos usados hoje é atacar justamente o ribossomo das bactérias.
Determinar a estrutura de um complexo proteico tão grande quanto o ribossomo, porém, não foi tarefa fácil. Quando, no fim da década de 1970, Yonath, do Instituto Weizmann, de Rehovot (Israel), se propôs a fazer o trabalho, os colegas acharam que estava maluca. Ramakrishnan, da Universidade de Cambridge (Reino Unido), e Steitz, da Universidade Yale, de New Haven (EUA), porém, discordavam.
O que o trio fez foi usar um método chamado cristalografia de raios X, que usa esse tipo de luz para localizar as posições de cada um dos átomos de uma molécula. Assim foi possível entender como é o ribossomo.
Não só isso: eles criaram também modelos em 3-D que mostram como antibióticos atacam os ribossomos, fazendo com que a pesquisa farmacêutica pudesse dar um salto. O medicamento tem de se encaixar no ribossomo para bloquear a sua ação. Conhecendo a forma do ribossomo, que é como uma fechadura, a gente sabe qual chave usar, explica Julio Schpector, químico da Universidade Federal de São Carlos que já trabalhou no mesmo laboratório de Yonath.


