Bagdá - O movimento do islamita jordaniano Abu Mussab al-Zarqawi, ligado à rede terrorista Al-Qaeda, ameaçou matar o primeiro-ministro do Iraque, Iyad Allawi, no dia seguinte da execução pelo mesmo grupo, de um refém sul-coreano. O premier iraquiano, que vai receber o poder das mãos das autoridades da coalizão dirigida pelos Estados Unidos em 30 de junho, recebeu nesta quarta-feira ameaças de morte numa gravação de áudio atribuída a Abu Mussab al-Zarqawi, chefe do grupo ''Tawhid wal jihad'' (Unificação e Guerra Santa), ligado à rede Al-Qaeda, o mesmo que executou o refém sul-coreano.
''Oh, tu Allawi, escapaste muitas vezes sem saber de emboscadas muito bem organizadas que armamos contra ti. Mas nos comprometemos a atingir esse objetivo, para fazer-te conhecer a mesma sorte de Ezzedin Selim'', chefe do Conselho de Governo transitório, atualmente dissolvido, assassinado em 17 de maio num atentado em Bagdá.
Na mensagem, em que também denuncia os ataques americanos contra a cidade sunita de Fallujah (ao oeste de Bagdá), o grupo afirma que está presente em todo Iraque.
Já a coalizão anunciou que cerca de 20 combatentes estrangeiros morreram nos bombardeios americanos em Fallujah.
Depois da execução do refém sul-coreano Kim Sun-Il, um intérprete de 33 anos, pelo mesmo grupo que ameaçou Allawi, a Coréia do Sul, que dobrou a segurança, continua firme em seu projeto de se converter na terceira potência estrangeira no Iraque, em número de soldados.
Cerca de 9.000 policiais foram mobilizados ao redor dos centros públicos da Coréia do Sul, enquanto o presidente Roh Moo-hyun reiterou seu projeto de enviar, a partir de agosto, 3.000 soldados para reforçar os 660 civis que trabalham no Iraque desde abril do passado ano.
O corpo decapitado de Kim foi encontrado pelas autoridades militares americanas na estrada entre Bagdá e Fallujah. Esta execução teve um grande impacto na opinião pública sul-coreana, em maioria reticente em relação a um envolvimento maior no Iraque, enquanto Seul ordenou a saída de todos os civis do território iraquiano, com exceção do pessoal essencial.
A execução também gerou indignação no mundo. O presidente americano, George W. Bush, assegurou que os ''Estados Unidos não serão intimidados''. Teerã chamou este ato de ''desumano'', que pode servir de pretexto para que siga a ocupação do Iraque, enquanto a Indonésia, maior país muçulmano do mundo, que criticou fortemente a ocupação do Iraque, denunciou o ''assassinato bárbaro''. O administrador civil americano no Iraque, Paul Bremer, que está no norte do país a uma semana do fim de sua missão, denunciou este ato ''monstruoso'' e afirmou que a coalizão veio ao Iraque para ''vencer os terroristas e não para intimidada por eles''.
Desde o estabelecimento, em 1º de junho, do governo interino que receberá o poder em 30 de junho, foram realizados mais de vinte atentados com carro-bomba no país, nos quais morreram mais de 200 pessoas.
Na quarta-feira, uma mulher e um menino morreram no centro de Bagdá na explosão de uma bomba durante a passagem de um comboio militar americano, enquanto outras três pessoas ficaram feridas.
Em Basra, no sul, dois cristãos iraquianos que trabalham para a empresa americana Bechtel foram assassinados na terça-feira por desconhecidos, anunciou na quarta-feira um morador do local. No norte, o principal oleoduto que leva o petróleo para o terminal turco de Ceyhan, alvo de sabotagem em várias ocasiões, voltou a funcionar.

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