France PresseXadrez políticoOrganizadores afirmam ter o objetivo de enviar um ‘‘sinal civil forte de recusa ao fascismo na França’’. Em Lyon, ato reuniu 6 mil segundo a políciaMilhares de pessoas se manifestaram ontem em toda a França para denunciar a Frente Nacional (FN) e as alianças de partidos da direita moderada com a extrema direita. Um Comitê Nacional de Vigilância contra a extremadireita, integrado por 40 organizações da esquerda política e sindical, convocou várias ‘‘manifestações civis’’.
Além dos componentes da esquerda no poder (socialistas, comunistas e ecologistas), associações de defesa de direitos humanos, sindicatos (de professores, estudantes, da magistratura) e outras organizações convocaram as manifestações.
Em Paris, entre 30 mil e 50 mil pessoas segundo o Comitê de Vigilância, e cerca de 100 mil segundo estimativas do Partido Comunista, desfilaram com um cartaz dizendo ‘‘Juntos pela liberdade, pela igualdade, e pela fraternidade’’.
‘‘Não toquem na República’’, ‘‘O racismo é uma vergonha nacional’’, ‘‘Contra as amizades perigosas’’, eram dizeres dos cartazes levados pelos manifestantes, entre os quais se achavam numerosos estudantes.
Ontem de manhã o premier socialista Lionel Jospin disse que os ministros não devem participar das manifestações, já que considera que é preciso deixá-las aos cidadãos, militantes comunitários e dirigentes dos partidos políticos.
Em Lyon (centro-leste), 6 mil pessoas segundo a polícia e mais de 14 mil segundo os organizadores desfilaram contra a reeleição do liberal Charles Millon como chefe do executivo regional graças aos votos da Frente Nacional.
Em Marselha se manifestaram 2 mil pessoas, e entre 7 mil 10 mil em Montpellier (sudeste), onde o liberal Jacques Blanc foi eleito presidente da região de Languedoc-Roussillon com os votos da FN.
A extrema direita provocou uma tormenta política depois das eleições regionais de 15 de março, e fez cambalear uma das principais componentes da direita parlamentar, a UDF (União pela Democracia Francesa), ao propor seus votos para eleger os presidentes dos conselhos regionais.
Os organizadores das manifestações têm três objetivos: enviar um ‘‘sinal civil forte de recusa ao fascismo na França’’, demonstrar a unidade da esquerda diante da explosão da direita, e atrair os ‘‘republicanos’’ do outro campo sensíveis ao discurso do presidente Jacques Chirac contra o perigo da ascensão do radicalismo de direita.

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