Mais de 600 alunos universitários não puderam fazer as provas do Exame Nacional de Cursos, o Provão, ontem em Londrina. O Colégio Antônio Moraes de Barros, no Jardim Bandeirantes (zona oeste de Londrina), um dos seis locais de exame na cidade, não recebeu as provas a tempo.
  Em todo o país, o Provão estava marcado para começar às 13 horas. Estudantes inscritos no Moraes de Barros disseram que foram dispensados às 14h30, sob a justificativa de que as provas teriam se extraviado. ‘‘Fomos informados de um possível atraso no vôo que trazia as provas. Como pode apenas um colégio ter passado por esse imprevisto?’’, perguntava o aluno de história da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Luis Carlos Manini, 21. Ele e outros colegas do curso estavam revoltados. ‘‘É uma injustiça. Se fosse algum de nós que chegasse cinco minutos atrasado, perderia a prova. Levamos nota ‘D’ de dispensados’’, ironizou o estudante.
  A assessoria de imprensa do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), em Brasília, confirmou que houve extravio de parte das provas, mas não soube informar as circunstâncias exatas. Ainda segundo a assessoria, os alunos que assinaram a lista de presença mas ficaram impossibilitados de prestar o Exame não terão nenhum prejuízo. O Inep irá avaliar como serão atribuídos os conceitos para os cursos prejudicados com o extravio das provas.
  O total de alunos inscritos no Provão, em Londrina, foi de 3.765, em 41 cursos. Participaram alunos da UEL, Universidade Norte do Paraná (Unopar) e Universidade Filadélfia (UniFil). O Inep deve divulgar hoje o número de ausentes. Nos colégios Albino Feijó Sanches, Hugo Simas, IEEL, Marcelino Champagnat e Vicente Rijo, a realização do Provão transcorreu normalmente. A Polícia Militar deslocou cerca de 45 homens para os locais de prova. Nenhum incidente foi registrado.
  Neste ano, os protestos contra o Provão foram discretos. Alunos de alguns cursos da UEL, como jornalismo e arquitetura e urbanismo, decidiram em assembléias fazer boicote coletivo às provas. Eles compareceram ao exame, mas entregaram gabaritos em branco ou assinalaram uma única letra em todas as questões. A estudante de jornalismo Caroline Correia, 24, explicou que não fez a prova porque seu curso não merece receber uma nota alta. ‘‘Se todos fizéssemos a prova, os resultados seriam bons. Mas não é justo que um curso com vários problemas, com falta de infra-estrutura, seja avaliado apenas pelo desempenho dos alunos’’.
  Já o estudante de arquitetura e urbanismo da UEL, João Marcelo Caetano, 23, disse que os alunos do curso não estão apenas fazendo boicote, mas uma discussão ampla sobre os métodos de avaliação do ensino superior. ‘‘Não concordamos com os moldes dessa prova, mas queremos mostrar para o Ministério da Educação (MEC) as falhas e as mudanças que poderiam ser feitas’’, destaca. Os alunos pretendem avaliar as provas de ontem e preparar uma carta que será enviada ao MEC.
  Em todo o país, 463.633 estudantes de 26 áreas estavam inscritos no Provão. O gabarito das provas está disponível no site do Inep (www.inep.gov.br). Os alunos podem ter acesso ao boletim de desempenho, na internet, a partir de novembro, ou solicitar ao Inep o envio pelos correios. O relatório com os resultados gerais de cada área que participa do exame deve ser divulgado em dezembro.

mockup