Uma extensão da guerra anglo-americana contra o terrorismo a outros países, mencionada por Washington, causou ontem preocupação nos países do Golfo Pérsico e principalmente no Iraque, apresentado geralmente como um provável objetivo. O ministro das Relações Exteriores de Omã, Yussef Ben Alaui, lançou uma advertência clara.
''A posição árabe em relação às operações militares norte-americanas no Afeganistão, enquanto se produzem no âmbito da luta antiterrorista, é coerente com a posição internacional'', declarou à agência oficial ONA. ''Mas se estas operações tiverem outros objetivos e incluírem alguns países árabes, estaremos contra e não poderemos cooperar'', acrescentou o ministro. Fiel aliado dos Estados Unidos, Omã controla o estratégico estreito de Ormuz, na entrada do Golfo Pérsico.
Em uma carta dirigida ao Conselho de Segurança da ONU, os Estados Unidos, invocando seu direito de ''legítima defesa'', informaram que ''podem estimar que sua legítima defesa exige outras ações contra outras organizações ou países''.
O Iraque, cujo regime é grande inimigo de Washington há uma década, já antecipou uma eventual operação dirigida contra ele, acusando Washington e Londres de tentar ''ajustar velhas contas'' com Bagdá. ''Os Estados Unidos e seus aliados sabem muito bem que o Iraque não tem nada que ver com os grupos aos quais Washington acusa de estar na origem dos atentados'' de 11 de setembro, declarou o chefe da diplomacia iraquiana, Naji Sabri.
''Se os Estados Unidos e seu aliado britânico querem ampliar a agressão ao Iraque com o pretexto do terrorismo, isto traduzirá sua vontade de ajustar velhas contas com o Iraque'', acrescentou o ministro. ''Mas em caso de ataque, resistiremos por todos os meios'', advertiu.
Sabri considerou ''normal'' a referência feita pelo suposto terrorista Osama bin Laden ao sofrimento do povo iraquiano e à causa palestina para justificar sua hostilidade com Washington. ''Iraque e Palestina são dois temas que provocam tristeza, sofrimento e dor entre milhões de muçulmanos no mundo e por isso referir-se a elas é normal'', disse.
A imprensa oficial saudita pediu por sua parte ''uma definição clara do terrorismo'' para evitar qualquer derivação da campanha. ''O mundo deve definir o conceito de terrorismo, para evitar a confusão e o sacrifício dos direitos de alguns povos'', disse o jornal Al Bilad.

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