Corumbá - O exército boliviano está de prontidão na fronteira de Arroyo Concépcion com a cidade de Corumbá, no pantanal de Mato Grosso do Sul, para evitar novos confrontos entre bolivianos que estão a favor e contra a permanência da siderúrgica brasileira EBX em Puerto Suarez, vizinha de Arroyo Concepción.
  As tropas chegaram ao local ontem, no início da tarde, com aproximadamente 80 soldados fortemente armados. Na quarta-feira, por volta de 19h, houve enfrentamento entre os manifestantes pró e contra a permanência da EBX, com chutes, socos, pedradas, cacetadas, tiros e até explosões de fogos de artifícios.
  Um grupo de 120 bolivianos buscou refúgio no prédio da Receita Federal do Brasil, onde passou a noite. Ontem, eles voltaram a tentar bloquear a fronteira. São, na maioria, trabalhadores demitidos da siderúrgica brasileira, expulsa do país vizinho por determinação do presidente Evo Morales.
  Do lado boliviano, ficaram os comerciantes que conseguiram romper a barreira. A troca de insultos obrigou o reforço na segurança. ‘‘É boliviano contra boliviano’’, comentou o presidente da associação dos bairros de Arroyo Concepción e Puerto Quijarro, Marco Antonio Alcorce.
  Foram interditadas estradas, ferrovias, aeroporto e o comércio da região foi fechado. Essas ações foram denominadas de ‘‘Paro Cívico’’, que segundo o presidente do Comitê Cívico de Puerto Suarez, Edil Gericke, vai continuar, apesar do conflito da quarta-feira.
  Gericke admitiu que o movimento precisa rever sua estratégia. ‘‘É preciso não deixar acontecer o esvaziamento (do movimento). Se isso ocorrer, acaba a oposição a Morales’’, afirmou. Segundo ele, a confronto pode ter ‘‘sido armado por gente do MAS (Movimento Ao Socialismo, partido de Morales’’.
  Gericke pediu asilo ao Brasil. Está com prisão decretada, sob a alegação de ter sido o responsável pela ação de cárcere privado de três ministros.
  Nicola Vacca, subprefeito da Província de German Busch, visitou ontem a fronteira e informou que Santa Cruz de La Sierra, segunda mais importante cidade da Bolívia, não vai aderir ao movimento. ‘‘Houve uma negociação com o governo do presidente Evo Morales. O bloqueio programado foi suspenso. Estamos aqui para negociar, de forma pacífica, o fim dos embargos. Não queremos confronto, somos todos bolivianos, o mesmo povo’’, afirmou.
  Mas, segundo garante os manifestantes que ficaram do lado brasileiro, não haverá acordo. A decisão continua sendo pela continuidade do ‘‘Paro Cívico’’ até que o governo Morales reabra os postos de trabalho fechados com a expulsão da siderúrgica. Eles acreditam que, até hoje, poderão voltar para a Bolívia e retomar o bloqueio da fronteira.

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