Explosivo desvia suspeita da Al-Qaeda
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sexta-feira, 08 de julho de 2005
Folhapress 
São Paulo - Os responsáveis pelos ataques ocorridos em Londres podem ser cidadãos britânicos sem nenhuma ligação formal com o terrorismo, ou relações com a rede Al-Qaeda, de Osama bin Laden, afirmou ontem Alex Standish, editor da ''Jane's Intelligente Digest'', revista da uma empresa britânica de segurança.
As bombas de 4,5 kg usadas nos atentados contra três estações de metrô e um ônibus ontem, que deixaram mais de 50 mortos e 700 feridos, podem ser artefatos caseiros, montados com explosivos plásticos e um contador de tempo simples, segundo Andy Oppenheimer, especialista em armas do Jane's Information Group.
Ele também afirmou que o explosivo plástico provavelmente usado nos ataques é fácil de ser obtido, e não se compara a uma substância usada pelo Exército, que poderia matar um número muito maior de pessoas. ''Qualquer um com um pouco de dinheiro poderia obter esse tipo de material, se soubesse onde procurar por ele'', reforça Standish.
Explosivos plásticos podem ser comprados no mercado negro de países como a República Tcheca e outros países da Europa Central. Esse material é geralmente distribuído pela máfia russa, disse Standish, acrescentando que uma grande quantidade de explosivos plásticos (que pode ser detectado por cães farejadores) sumiu de um armazém na República Tcheca.
De acordo com Oppenheimer, os terroristas teriam usado um ''timer'' (contador de tempo) de modelo simples, que foi programado para explodir em 30 minutos. Detonadores mais sofisticados, como os que são usados pelo IRA (Exército Republicano Irlandês) podem ser programados para várias horas, e até dias. Alguns especialistas dizem acreditar que a bomba que explodiu no ônibus de dois andares foi detonada antes do previsto, por engano.
Jornais britânicos citam uma testemunha que estava no ônibus número 30 atingido pela bomba que disse ter visto um homem de cerca de 20 anos, muito agitado, tocando repetidas vezes algo que carregava dentro de sua mochila. A polícia afirmou que não há indícios de que tenha havido algum ataque suicida, mas não excluiu essa possibilidade.


