Explosão pode ter matado 70% dos marinheiros
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quinta-feira, 17 de agosto de 2000
Agência Folha De Londres 
A explosão no submarino russo Kursk pode ter matado cerca de 70% de seus 118 marinheiros, segundo Paul Beaver, especialista da revista britânica Janes, a mais importante publicação de temas militares do mundo.
Beaver diz que a tese mais provável para o acidente é que tenha ocorrido uma forte explosão na parte da frente do submarino. Navios da Otan que acompanhavam a frota russa teriam registrado duas explosões no submarino.
Caso a hipótese de uma explosão na área de lançamento de torpedos esteja correta, diz Beaver, boa parte do submarino pode ter sido imediatamente inundada. Muitos marinheiros teriam morrido na hora, devido à explosão ou por afogamento. Se houve mesmo uma explosão, é bem provável que a maioria dos marinheiros tenha morrido na hora, afirma Beaver.
A solução óbvia para os sobreviventes seria buscar abrigo na parte de trás do submarino, onde fica a seção de engenharia e a escotilha para saídas de emergência. Em tese, eles ainda teriam oxigênio para sobreviver até agora, à espera de salvamento, continua Beaver.
Para o especialista, o único equipamento do mundo capaz de acoplar com a embarcação, e realizar o resgate é o minissubmarino britânico LR5.
O LR5 pode se adaptar à embarcação russa. Além disso, ele pode ser guiado como um helicóptero, em várias direções, e por isso poderia ser atracado ao Kursk, que está tombado num ângulo de 60 graus.
Folha de S.Paulo Quais são as chances de a equipe britânica conseguir resgatar os marinheiros russos?
Paul Beaver A equipe britânica é a única no mundo com equipamento capaz de acoplar com o submarino. Uma operação de resgate semelhante já foi feita num treinamento com um submarino polonês muito parecido com o russo, com sucesso. O problema é que o LR5 só vai chegar ao local onde está o submarino sábado.
Os russos já fizeram seis tentativas e falharam porque as correntes marítimas são muito fortes e devido às condições do submarino. Como a equipe britânica pode superar esses problemas?
Beaver Pelo que sabemos, o submarino russo sofreu danos catastróficos na parte da frente e está no fundo do mar, a 110 metros de profundidade, tombado, num ângulo de 60 graus. É uma operação complicada e perigosa, mas o minissubmarino LR5 funciona como um helicóptero, pode ser manejado em diversas posições e pode acoplar com o submarino, mesmo tombado. A estratégia terá de ser ligar o LR5 a uma escotilha de emergência no fundo da embarcação.
Quais são as chances de que os marinheiros estejam vivos?
Beaver É difícil saber a situação dentro do submarino, mas tecnicamente existe a possibilidade de que parte da tripulação esteja na parte de trás do submarino, à espera de resgate. Boa parte da tripulação teria morrido na explosão na parte da frente do submarino, que também teria sido inundada imediatamente. Se houve essa forte explosão na parte da frente, como se imagina, acredito que cerca de 70% dos marinheiros tenham morrido no acidente. Os sobreviventes teriam de ter corrido para a sala de engenharia na parte de trás do submarino, perto da escotilha de emergência.
Quais seriam as condições dos eventuais sobreviventes?
Beaver Depois da explosão, os reatores nucleares devem ter sido desligados automaticamente. Eles estão sem energia, no escuro, e com uma temperatura de aproximadamente 10ºC. Boa parte do submarino deve estar inundada. É um quadro assustador. Mas, enquanto houver esperança de retirar um sobrevivente, a equipe de salvamento deve tentar o resgate. Não temos muitas experiências parecidas para comparar. Nunca houve uma tentativa de resgate como a atual.
Qual é o risco de vazamento de radioatividade?
Beaver Não considero essa hipótese. Com a inundação, os reatores nucleares foram desligados automaticamente.


