Explosão em Grozny mata mais de 100
Autoridades chechenas acusam as forças federais russas de bombardear e avançar contra a capital. Moscou nega ofensiva
Ruslan Musayev
De Grozny, Rússia
Fortes explosões sacudiram ontem o centro de Grozny depois que salvas de foguetes atingiram um mercado e outras partes da cidade. Um oficial checheno afirmou que 118 pessoas morreram e cerca de 400 ficaram feridas.
Autoridades chechenas acusaram forças russas que avançam em direção à cidade de ter feito os disparos.
O mercado central da cidade estava repleto de corpos carbonizados, partes de corpos e poças de sangue depois que seis foguetes explodiram no meio do pavilhão, que estava lotado de compradores. Pelo menos quatro outros foguetes atingiram outras partes da cidade, incluindo uma maternidade.
Magomed Magomadov, uma autoridade governamental, disse que 118 pessoas foram mortas e entre 300 e 400 pessoas ficaram feridas. Muitos dos feridos estavam em condições críticas, com poucas chances de sobrevivência, segundo ele.
Não houve confirmação oficial do número de vítimas.
Centenas de pessoas aterrorizadas, muitas chorando e gritando, corriam em busca de proteção enquanto os foguetes explodiam no mercado. Ruas vizinhas estavam repletas de sobreviventes e gente em fuga. Alguns transeuntes tentavam ajudar sobreviventes feridos que escapavam como podiam da área devastada.
Os já superlotados e mal equipados hospitais de Grozny ficaram cheios de feridos. Um punhado de médicos, trabalhando quase sem medicamentos, operava alguns sobreviventes sob a luz de querosene porque não havia eletricidade.
Pessoas bastante feridas estavam deitadas sobre poças de sangue nos escuros, sujos, corredores do hospital central, onde não havia cama para elas.
Tropas russas, enquanto isto, se aproximavam da capital chechena, com tanques e blindados de deslocamento de tropas avançados estando a apenas 12 km de Grozny. Autoridades chechenas disseram que alguns soldados russos já haviam sido vistos ainda mais perto.
O Ministério da Defesa russo em Moscou negou categoricamente que forças russas tenham sido responsáveis pelas explosões.
A Rússia enviou tropas para a Chechênia no final de setembro, seguindo-se a semanas de ataques aéreos que visavam eliminar militantes islâmicos que invadiram o vizinho Daguestão há poucos meses. Os militantes também são acusados por uma série de explosões em prédios residenciais na Rússia que matou cerca de 300 pessoas.
Mais cedo ontem, oficiais russos disseram que novas tropas federais haviam cruzado o rio Terek para assumir posições nas proximidades da capital chechena, com unidades avançadas estacionando nos subúrbios da cidade.
Líderes militares russos têm emitido sinais conflitantes sobre se pretendem invadir Grozny. O ministro da Defesa Igor Sergeyev disse que Grozny pode ser atacada, mas apenas se isto ajudar para o objetivo maior de eliminar os militantes chechenos.
Já o vice de Sergeyev, general Vladimir Toporov, expressou uma posição um pouco diferente, dizendo que cedo ou tarde, as tropas irão entrar em Grozny. Se não as tropas, autoridades russas.





