São Paulo - O Pentágono confirmou a morte de 22 pessoas - entre elas militares norte-americanos e iraquianos - após explosão ontem em uma base militar dos EUA perto de Mossul, no norte do Iraque. A ação, que ocorreu no dia em que o premiê britânico, Tony Blair, fez uma visita de surpresa ao país (leia box), deixou ainda um saldo de 50 feridos.
O atentado foi reivindicado pelo grupo Exército de Ansar Al Sunna, ligado à rede terrorista Al Qaeda, de Osama bin Laden, em um comunicado difundido num site islâmico.
No domingo passado, no mais sangrento ataque desde julho, explosão de dois carros-bomba, aparentemente coordenados, causaram a morte de 67 pessoas e feriram cerca de 200 em duas cidades sagradas para o muçulmanos xiitas, Najaf e Karbala, ambas no sul do país.
''Por volta das 12h (7h de Brasília) uma explosão atingiu uma instalação norte-americana de Camp Erez, perto de Mossul, causando várias vítimas'', disse o comunicado oficial, sem dar mais detalhes sobre a ação. ''A causa da explosão está sendo investigada'', completou.
Testemunhas disseram ter ouvido entre douas e três explosões e que uma grande coluna de fumaça se formou no local.
Mossul, que é a terceira maior cidade do Iraque, tem vivido situação de intensa violência há várias semanas. Conflitos étnicos também atingem a região, habitada por árabes e curdos.
Especula-se que o terrorista jordaniano Abu Musab al Zarqawi, principal inimigo dos EUA no Iraque, e responsável por vários sequestros e decapitação de estrangeiros, tenha se mudado de seu reduto original, a cidade de Fallujah (50 km a oeste da capital Bagdá), durante ação dos EUA na cidade no início de novembro, quu duas semanas, e se instalado em Mossul.
A cidade, que fica a 390 km ao norte de Bagdá, foi um bastião importante de leais ao ex-ditador Saddam Hussein. Os dois filhos de Saddam foram perseguidos e mortos pelos EUA em Mossul, em julho do ano passado.
Ontem pela manhã, aviões americanos com lançadores de mísseis de precisão, lançados com o objetivo de atingir alvos inimigos, a oeste de Bagdá, mataram quatro pessoas e deixaram sete feridos. Hamdi al Alosi, médico de um hospital da cidade-alvo, Hit, confirmou a morte de quatro civis iraquianos. Ele também disse haver sete feridos.
Ainda segundo o médico, o ataque destruiu vários carros e causou danos a pelo menos dois prédios da região atingida. Até o momento, o Exército dos EUA não confirmou as mortes.
Em Baquba, 57 km a noroeste de Bagdá, um desconhecido matou a tiros um cientista nuclear iraquiano no momento em que ele se dirigia a seu trabalho, segundo informações testemunhas.
Assim como policiais iraquianos e membros das forças dos EUA, oleodutos se transformaram em alvos de ataque e sabotagem da insurgência iraquiana. Na semana passada, uma mensagem atribuída a Osama bin Laden, líder da rede terrorista Al Qaeda, pedia ataques a instalações petrolíferas, ''em particular no Iraque e no golfo''.
Também na manhã de ontem, cinco soldados americanos e um civil iraquiano, que viajavam em um jipe militar americano Humvee, foram feridos quando o veículo que os transportava foi atingido por um carro-bomba perto de Hawija, cerca de 240 km ao norte de Bagdá, segundo informações do comando militar americano.
As ações violentas ocorrem um dia após o primeiro-ministro interino iraquiano, Iyad Allawi, pedir calma e diminuição dos atos violentos da insurgência, que tenta abalar a eleição iraquiana prevista para 30 de janeiro.

mockup