Explosão de caminhão-bomba mata 60 em Bagdá
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terça-feira, 19 de junho de 2007
France Presse 
Bagdá- Mais de 60 pessoas morreram e outras 130 ficaram feridas ontem na explosão de um caminhão-bomba perto de uma mesquita xiita em Bagdá, no atentado mais violento dos últimos meses na capital.
Neste mesmo dia, quase 10.000 soldados americanos e iraquianos lançaram uma mega-operação contra a rede terrorista Al-Qaeda em Diyala, norte de Bagdá, onde milhares de pessoas morreram por ataques dos rebeldes no último ano.
O caminhão-bomba carregado de explosivos se encontrava em um estacionamento perto da mesquita da Al-Khalani, no bairro central de Sinak, e explodiu por volta das 14h00 (07h00 de Brasília), informaram fontes do ministério do Interior e da Defesa.
A mesquita foi atingida pelo desabamento de várias de suas paredes e as janelas dos prédios vizinhos também tiveram os vidros quebrados.
A forte explosão provocou uma espessa nuvem de fumaça e uma cratera de três metros de profundidade e seis de diâmetro.
Várias lojas e dezenas de carros também foram atingidos pela onda explosiva.
O atentado foi praticado em um bairro vizinho ao que foi alvo, no dia 18 de abril, de uma explosão de um carro-bomba que deixou pelo menos 140 mortos em um mercado.
O primeiro-ministro Nuri al-Maliki, um xiita, atribuiu o atentado aos ''takfiri'', extremistas sunitas. ''Os conspiradores takfiri violaram o caráter sagrado da casa de Deus e espalhou o sangue de inocentes'', lamentou, acusando os terroristas sunitas de querer ''criar lutas confessionais''.
''São os mesmos que cometeram o atentado em Samarra'', no mausoléu xiita desta cidade sunita do norte do Iraque, cujos dois minaretes foram destruídos no dia 13 de junho por explosões, afirmava uma mulher.
Este atentado acontece poucos dias depois da suspensão do toque de recolher total imposto na capital iraquiana depois da destruição, na quarta-feira passada, de dois minaretes do mausoléu xiita de Samarra, cidade situada ao norte da capital.
A destruição da cúpula desse mesmo templo em um atentado em fevereiro de 2006 iniciou uma onda de violência sectária no país. Mesquitas sunitas no sul também foram alvo de ataques, aparentemente em represálias ao atentado de Samarra.
O atentado de ontem coincide também com a maior ofensiva militar já lançada contra a al-Qaeda em na região norte de Bagdá. Batizada ''Arrowhead Ripper'', a operação se concentra em Baaquba, capital da província de Diyala, reduto da Al-Qaeda, segundo o Exército americano.
''Cerca de 10.000 soldados, apoiados por helicópteros de combate e blindados, participam na operação, que faz parte de um esforço de grande envergadura para eliminar os terroristas da Al-Qaeeda que operam na região'', afirma um comunicado oficial.
''Helicópteros de combate e tropas terrestres iniciaram as operações ao amanhecer e mataram 22 combatentes hostis às forças iraquianas em Baaquba e seus arredores'', acrescenta o texto.
Seis soldados curdos do Exército iraquiano morreram e vários civis figuram entre as vítimas, informou, por sua vez, o coronel iraquiano Nagib al-Salahi, que não pôde precisar o número certo de mortos e feridos.
Al-Salahi afirmou ainda que o Exército iraquiano havia matado 11 ''terroristas'' e prendido 12. ''Apreendemos diversas armas, incluindo sabres utilizados para cortar cabeças'', declarou o militar.
''O objetivo final é destruir a Al-Qaeda na província e eliminar essa ameaça contra a população'', acrescentou o general-de-brigada Mick Bednarek.
Intensos combates foram travados depois da instauração do toque de recolher em toda a cidade no início da manhã.
Os ataques dos insurgentes se multiplicaram desde a instauração do plano de segurança em Bagdá, em meados de fevereiro. Diyala, um Iraque em miniatura onde vivem sunitas, xiitas e curdos, é cenário de frequentes atos de violência sectária. A facção iraquiana da Al-Qaeda se encontra bem implantada e as perdas impostas às tropas americanas na região aumentaram nos últimos meses.
Além disso, 30 pessoas morreram e 90 ficaram feridas em confrontos entre as tropas iraquianas e os milicianos do Exército de Mahdi, do clérigo radical xiita Moqtada al-Sadr, durante a madrugada de terça-feira no sul do Iraque.


