Explosão de bomba ameaça trégua
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domingo, 24 de junho de 2001
Das Agências De Jerusalém e Londres 
Um militante palestino procurado por Israel foi morto ontem quando um telefone público que usava explodiu na cidade de Nablus, Cisjordânia, levantando novas dúvidas sobre a força de uma trégua no Oriente Médio.
O último assassinato ocorreu no momento em que o primeiro-ministro de Israel, Ariel Sharon, partia para os Estados Unidos pela segunda vez em três meses a fim de discutir a turbulência no Oriente Médio com o presidente americano, George W. Bush.
Os palestinos imediatamente acusaram Israel pelo assassinato do ativista Osama Jawabri, 29 anos, e o considerou uma flagrante violação dos termos de um cessar-fogo mediado no começo do mês pelos americanos.
O retorno à política de assassinato mostra que Israel insiste na continuidade de sua escalada e de seus planos militares para destruir a Autoridade Palestina, disse o secretário-geral do Gabinete palestino, Ahmed Abdel Rahman.
A prisão de militantes palestinos suspeitos de envolvimento em ataques é uma condição-chave de Israel para manter o cessar-fogo. Jawabri fazia parte de uma lista de suspeitos de ataques que Israel entregou aos palestinos na sexta-feira, divulgou ontem a televisão israelense.
Num telefonema ontem, o chefe da agência de inteligência israelense Shin Bet, Avi Dichter, deu ao líder de segurança palestino na Cisjordânia, Jibril Rajoub, 24 horas para ele prender os militantes, caso contrário Israel agiria por conta própria, afirmou uma alta autoridade viajando no avião de Sharon. Os palestinos não fizeram qualquer prisão, disse a autoridade, que pediu para não ser identificada.
Rajoub negou ontem ter recebido tal lista. O Exército israelense e o escritório de Sharon recusaram-se a comentar o assassinato de Jawabri.
Jawabri usava regularmente um telefone público nas proximidades de sua casa no centro de Nablus, segundo testemunhas.
Ouvi uma grande explosão e pensei que estávamos sendo bombardeados, disse Bilal Iran, proprietário de uma loja próxima. Encontrei o corpo do homem no chão, com cortes em todo o corpo.
A explosão destruiu o telefone e lançou estilhaços em todas as direções. Duas crianças, um menino de quatro anos e sua irmã de dois anos, ficaram levemente feridas na explosão.
Jawabri, 29 anos, era membro das Brigadas dos Mártires de Al Aqsa, um grupo que assumiu responsabilidade pela morte de colonos judeus durante a atual onda de violência.
Em Londres Enquanto isso, Sharon partiu ontem para os Estados Unidos, tendo feito uma parada em Londres, onde se encontrou com o premier britânico, Tony Blair.
Após uma reunião, classificada como positiva pelos dois lados, Blair destacou a importância de avançar nas negociações pela paz no Oriente Médio a partir do relatório Mitchell. Já Sharon reiterou o compromisso de Israel em aplicar o plano.
O relatório, elaborado por uma comissão internacional liderada pelo ex-senador norte-americano George Mitchell, recomenda o fim imediato da violência entre palestinos e israelenses, assim como medidas de confiança, em especial a suspensão total da colonização da área em disputa.
Sharon garantiu que se deveria aumentar a pressão sobre o presidente da Autoridade Palestina, Yasser Arafat, para obter um cessar da violência com o objetivo de assegurar a paz na região.
Sharon fez uma breve escala em Londres, antes de ir para Washington, onde vai se encontrar na quarta-feira com o presidente norte-americano, George W. Bush.
Pouco antes de assumir o poder em março, Sharon encontrou-se com Bush em Washington, e os dois líderes vão ter agora uma nova reunião na Casa Branca.


