Expectativas de rápida vitória estão frustradas
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 26 de março de 2003
Stephen Collinson<BR>France Presse 
Washington O fracasso em dar um golpe mortal em Saddam Hussein e o temor do número de baixas que poderá resultar de um ataque a Bagdá frustram as expectativas de uma guerra curta e fácil no Iraque.
''Estamos muito mais próximos do início do que do fim da guerra'', admitiu o secretário de Defesa norte-americano, Donald Rumsfeld.
Apesar dos bombardeios em massa, o regime iraquiano permanece de pé e as forças que se dirigem para Bagdá enfrentarão em breve o anel de aço que protege a cidade: a Guarda Republicana iraquiana.
Tanto em Washington quanto no Golfo, o presidente George W. Bush e os responsáveis militares da coalizão se mantêm confiantes e minimizam as baixas nas fileiras americanas cerca de 20 , o número de prisioneiros e os grosseiros erros de alvo que custaram a vida de militares norte-americanos e de civis iraquianos.
A 3 Divisão de Infantaria está a menos de 100 quilômetros ao sul de Bagdá, a 101 aerotransportada se aproxima pelo sudoeste e os Marines pelo leste.
''Menos de uma semana depois do início da invasão, estamos a caminho de Bagdá'', congratulou-se o chefe do Estado Maior conjunto americano, o general Richard Myers.
Os norte-americanos, com cerca de 250 mil homens na região e apoiados por 45 mil soldados britânicos, detêm o controle aéreo, enquanto uma segunda frente terrestre atua a partir do norte.
Ao decidir fazer um cerco das cidades sem ocupá-las, as tropas norte-americanas optaram por um movimento rápido até a capital iraquiana, mas deixaram mais vulneráveis suas retaguardas, com a ameaça da guerrilha.
Do lado iraquiano, fica difícil estimar o número de baixas. Segundo o Pentágono, os combates próximos a Najaf (centro) deixaram entre 150 e 500 mortos nas filas iraquianas, um balanço que mostra a magnitude da resistência iraquiana e prenuncia as dificuldades que virão quando começarem os combates urbanos.
Os Estados Unidos asseguraram ter feito prisioneiros mais de 3.500 soldados iraquianos.
Pouco depois do começo da guerra no dia 20 de março, as imagens de mortos e prisioneiros norte-americanos exibidas pela televisão iraquiana puseram à prova a opinião pública dos Estados Unidos e a determinação da administração Bush, que jurou aniquilar o regime de Saddam Hussein.
Graças a uma campanha de informação bem organizada, o apoio à guerra não se deteriorou, ainda que o número de norte-americanos que acreditam que o conflito 'caminha muito bem' se reduza a cada dia.
O objetivo oficial da guerra não se traduz até o momento na descoberta de algum arsenal químico ou biológico.


