Expectativa de diálogo com a Coréia do Norte
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domingo, 15 de outubro de 2006
Agência Francepresse 
Seul - Todos os olhares estão voltados para a Coréia do Norte, um dia depois de o Conselho de Segurança da ONU ter punido o país comunista por seu teste nuclear, enquanto Pyongyang alimenta esperanças, segundo Moscou, de que as negociações sobre o caso serão retomadas.
Pouco depois da adoção por unanimidade da resolução 1718 do Conselho de Segurança, o embaixador norte-coreano nas Nações Unidas, Pak Gil-yon, denunciou ''métodos de gângster''.
''O Conselho de Segurança utilizou métodos de gângster ao adotar hoje uma resolução coercitiva que oculta o fato de que os Estados Unidos são uma ameaça nuclear, que também faz pressões para que a Coréia do Norte seja punida'', afirmou o embaixador norte-coreano.
Mas segundo o vice-ministro russo das Relações Exteriores, Alexander Alexiev, a porta da diplomacia segue aberta.
Alexiev disse em Pequim às agências russas que a Coréia do Norte continuava manifestando seu desejo de retomar as negociações, das quais participam China, as duas Coréias, Estados Unidos, Japão e Rússia, mas que ele pessoalmente não tinha grandes esperanças a respeito.
''Disseram que só tomariam uma decisão sobre suas ações depois de estudar a resolução da ONU sobre as sanções, e que inclusive a levarão em conta para decidir se retomam as negociações'', acrescentou.
''Meus colegas norte-coreanos disseram em várias ocasiões que Pyongyang não vai transferir de forma alguma suas capacidades nucleares para outro país, e que não as utilizariam contra ninguém'', acrescentou o vice-ministro.
A resolução do Conselho de Segurança prevê um embargo de ''armas e material relacionado'', ''materiais ligados à tecnologia nuclear ou de mísseis'' e ''produtos de luxo''. Pede também aos Estados membros que velem pelo cumprimento destes embargos, inclusive recorrendo à ''inspeção de cargas com destino ou procedentes da Coréia do Norte, caso seja necessário''.
A adoção da resolução, após o acordo entre Estados Unidos, defensor da linha dura, e China e Rússia, próximos ao regime norte-coreano, foi amplamente saudada.
O presidente americano, George W. Bush, declarou na Casa Branca que ''esta iniciativa da ONU, rápida e contundente, mostra uma união em favor de uma península coreana descentralizada''.
A ministra britânica das Relações Exteriores, Margaret Beckett, classificou a resolução de ''resposta forte e unida''.
O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, saudou a ''mensagem contundente'' enviada a Pyongyang.
O ministro japonês das Relações Exteriores, Taro Aso, partidário da linha dura contra o regime comunista, considerou que o Japão deve fornecer ajuda logística ao Exército americano nas inspeções de barcos norte-coreanos.
A Coréia do Sul, cujo processo de aproximação com o Norte parece estar bloqueado, assegurou que ''apoiará'' a resolução e prometeu contribuir para seu cumprimento.
A iniciativa da ONU coincide com um momento em que a autenticidade do ensaio nuclear norte-coreano parece se confirmar, depois que os serviços secretos americanos encontraram partículas radioativas perto do local em que Pyongyang assegura ter realizado o teste.
Enquanto isso, continuam os esforços diplomáticos, com a visita esta semana da secretária de Estado americana Condoleeza Rice a Japão, Coréia do Sul e China.


