Num documento divulgado no Vaticano, o papa Bento XVI defende que o latim volte a ser usado nas missas – pelo menos nas internacionais –, sugere que o canto gregoriano seja adotado nas igrejas e critica os padres que não seguem as regras litúrgicas e improvisam durante as missas. O documento Sacramentum Caritatis (O Sacramento do Amor) é a primeira exortação apostólica de Bento XVI, que se tornou papa em abril de 2005. O latim deixou de ser língua obrigatória nas missas em meados dos anos 60, após o Concílio Vaticano II, que abriu caminho para a modernização da Igreja. Desde então, as celebrações são realizadas nas línguas locais. Com o documento,
Bento XVI, que virá ao Brasil em maio, reafirma suas convicções conservadoras. O documento do Vaticano sugere que os padres evitem as confissões comunitárias, não permitam que a parte da missa em que os fiéis se cumprimentam dizendo ‘‘a paz de Cristo’’ se estenda demais e provoque distração e cuidem da estética das igrejas, principalmente as obras de arte e a arquitetura. O papa reafirmou que os divorciados que se casaram de novo estão proibidos de comungar, que o matrimônio só é possível entre homem e mulher e que os padres têm de ser castos.

É uma espécie de resumo do que se discutiu no último Sínodo dos Bispos, em outubro do mesmo ano, no Vaticano, e vale como orientação para os religiosos do mundo todo.

Antes de ser papa, Bento XVI era o prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé e tinha como função zelar pela ortodoxia católica. Nessa época, principal figura da linha dura do Vaticano, ele perseguiu e silenciou religiosos progressistas, como o brasileiro Leonardo Boff e o bispo emérito de São Félix do Araguaia, D. Pedro Casaldáliga.

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