Exército ucraniano deixa aeroporto de Donetsk
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sexta-feira, 23 de janeiro de 2015
France Presse 
Donetsk - O exército ucraniano sofreu ontem um grande revés com a perda do aeroporto de Donetsk, no momento em que os combates com os rebeldes pró-russos ganhavam intensidade, com ao menos 44 mortes em um período de 24 horas.
Diante dos últimos acontecimentos, o presidente ucraniano, Petro Poroshenko, reuniu seu estado-maior para responder à agressão russa. Desde o início do conflito, em abril, com a anexação da Crimeia por parte da Rússia e o despertar dos separatismos pró-russos no Leste do País, mais de 5 mil pessoas morreram nos combates entre as tropas leais a Kiev e os insurgentes.
O apelo a um cessar-fogo, lançado quarta-feira à noite, em Berlim, pelos ministros das Relações Exteriores ucraniano, russo, francês e alemão não foi atendido e a Ucrânia entra em uma nova onda de violência.
Na frente militar, o conflito viveu um ponto de inflexão com o anúncio de retirada das tropas ucranianas do aeroporto de Donetsk, posição estratégica e simbólica apesar da infraestrutura em ruínas. Os grupos lutavam por seu controle desde maio.
Os rebeldes lançaram uma grande ofensiva no dia 15 de janeiro para tomar as posições defendidas pelos soldados ucranianos, chamados de "ciborgues" e elevados à categoria de heróis por Kiev.
No domingo, o exército declarou que havia repelido o ataque, mas por fim precisou abandonar sua posição no novo terminal do aeroporto. O fracasso é ainda maior, já que em agosto também precisaram se retirar do aeroporto de Lugansk, a outra região secessionista. O exército não indicou se conduzirá uma contra-ofensiva para tentar recuperá-lo.
O Leste da Ucrânia viveu ontem um de seus dias mais sangrentos em nove meses de conflito e depois de um período de relativa calma em razão da assinatura em setembro de um cessar-fogo em Minsk.
Ao menos 44 pessoas, entre civis e militares, morreram em 24 horas nas regiões de Donetsk e Lugansk, segundo uma contagem da AFP estabelecida a partir de informações oficiais do exército ucraniano e das autoridades separatistas.
O ataque mais sangrento ocorreu em um bairro de Donetsk, onde ao menos 13 civis morreram em um ônibus elétrico bombardeado. Kiev e Moscou se acusaram mutuamente de terem cometido o ataque.
O exército ucraniano lamentou, por sua vez, a morte de dez soldados e de um menino de nove anos em um bombardeio também na região de Donetsk. Em Lugansk, oito pessoas também encontraram a morte, segundo a polícia regional separatista.


