Beirute - O exército sírio, apoiado pelo partido xiita libanês Hezbollah, entrou neste domingo no centro de Quseir, reduto dos rebeldes na província de Homs, um dia depois do presidente Bashar al-Assad ter reafirmado que não pensa em abandonar o poder.
"Se o exército conseguir tomar o controle de Quseir, toda a província de Homs cairá nas mãos do regime", afirmou Rami Abdel Rahman, diretor do Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).
O OSDH informou que desde a manhã de ontem, bombardeios incessantes deixaram pelo menos 52 mortos em Quseir. Há várias semanas, o exército, com o Hezbollah e milicianos leais ao regime, tentam tomar Quseir, reduto rebelde do centro do país que resiste há mais de um ano. Várias localidades ao redor da cidade já foram retomadas pelas forças do governo.
O Conselho Nacional Sírio (CNS), principal coalizão da oposição, denunciou as "tentativas de invadir e apagar a cidade e seus habitantes do mapa" e pediu uma reunião urgente da Liga Árabe para "deter o massacre".
Para tentar resolver o conflito, a comunidade internacional tenta organizar, em junho em Genebra, uma conferência de paz que reúna as grandes potências, os países árabes, a oposição e o regime de Damasco. A conferência deve estar baseada na declaração de Genebra assinada pelas grandes potências em junho de 2012 e que prevê o fim da violência, assim como um governo de transição, mas sem fazer referência ao destino de Assad, principal ponto de discórdia entre russos e americanos.
Moscou, grande aliado de Damasco e a quem fornece armas, defende a manutenção de Assad até a celebração de eleições, enquanto Washington reclamou em várias ocasiões a sua saída, algo que a oposição considera uma condição imprescindível para qualquer iniciativa de paz.
Mas em uma entrevista concedida à agência estatal de notícias argentina Télam e ao jornal Clarín, Bashar al-Assad insistiu na recusa em deixar o poder antes do fim de seu mandato em 2014 e deu a entender que será candidato no próximo ano. "Renunciar seria fugir", declarou Assad, antes de destacar que "quem deve sair e quem deve permanecer será determinado pelo povo sírio nas eleições presidenciais de 2014".
Segundo o OSDH, 94.000 pessoas morreram no conflito, que começou em março de 2011 como uma revolta pacífica contra o regime, antes de virar uma guerra civil.

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