BELGRADO - O Exército da Sérvia criticou ontem as unidades de elite que anunciaram, domingo, sua disposição de intervir na crise causada pelo cancelamento das eleições municipais. ‘‘Essas interpretações não refletem a posição oficial do Exército’’, indica o comunicado do Estado-Maior.
Ontem, um grupo de oficiais enviou uma carta ao presidente Slobodan Milosevic, manifestando sua intenção de agir para ‘‘fazer triunfar a verdade’’, implicitamente condenando a posição intransigente do governo.
Milosevic enfrenta, há 44 dias, protestos diários de milhares de estudantes e opositores nas ruas de Belgrado, por causa de sua decisão de anular as eleições em várias cidades, incluindo Belgrado, em que a oposição venceu.
O alto comando do Exército da Sérvia se esforça para desmentir a divisão interna causada pela crise, mas ontem fontes da oposição disseram que os oficiais dissidentes já comunicaram sua decisão de não permitir aos soldados disparar contra manifestantes. A polícia vem reprimindo com violência os protestos, mas há indícios de que o Exército seja chamado para garantir a ordem.
Ontem, milhares de estudantes tentaram organizar uma passeata com veículos, uma vez que os protestos a pé foram proibidos pelas autoridades, mas o estratagema não deu certo, porque a polícia bloqueou o acesso à praça principal da cidade. A passeta também foi prejudicada pelo caos no trânsito causado pela neve. Apesar da repressão, o movimento pró-democracia da Sérvia promete um festival de protestos ‘‘alternativos’’ na passagem do ano, incluindo a programação de dezenas de milhares de despertadores para tocar à meia-noite, símbolo de que soou a hora para Milosevic.

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