Exército peruano tenta conter rebelião
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segunda-feira, 30 de outubro de 2000
France Presse De Lima 
Tropas do exército continuavam ontem a perseguição ao tenente-coronel Ollanta Humala Tasso, que se revoltou contra o presidente Alberto Fujimori à frente de 50 soldados e se deslocava por áreas altas e isoladas dos Andes do sul do Peru, enquanto se multiplicam os apelos para se evitar um banho de sangue.
Pouco mais de 24 horas após o levante, 16 soldados que o seguiam desistiram, segundo notícias transmitidas pelas rádios de Lima.
A deserção entre os rebeldes ocorreu ontem de madrugada e horas depois os 16 soldados tinham sido levados aos seus quartéis de origem, segundo relatórios preliminares.
Inicialmente foram dois os militares que deixaram o grupo de Humala, depois o fizeram mais dez e em seguida quatro, que foram vistos por tropas leais ao governo que acompanham de perto os rebeldes.
Apesar da deserção, o comandante Humala Tasso persistia em sua atitude de revolta, enquanto as guarnições do sul do país se mantinham em estado de alerta máximo.
Humala, com seu irmão Antauro, um major da reserva do exército, mantém ainda como refém o general Oscar Bardales, chefe do forte Arica, ao qual pertence o líder rebelde, que durante a madrugada libertou quatro trabalhadores da mina de Toquepala, que também tinham sido sequestrados.
Antes a empresa Southern, proprietária da mina de cobre, tinha informado que os sequestrados eram três, mas ontem de manhã se confirmou que foram quatro. Todos estão sãos e salvos.
Quatrocentos soldados, fortemente armados, se acham perseguindo Humala e seus partidários por terra e por ar, com apoio de um helicóptero, segundo fontes militares que pediram o anonimato.
As mesmas fontes assinalaram que todos os caminhos que levam aos departamentos sulistas de Moquegua, Tacna e Puno foram bloqueados por contingentes militares.
O objetivo é estender um cerco militar e manter os rebeldes numa área da qual não possam escapar.
Uma vigilância especial se estabeleceu nas minas de cobre de Cuajone, propriedade da Southern Peru, de capital mexicano. Na véspera, depois de declarado o levante, Humala e seus homens se entrincheiraram inicialmente nas minas de cobre de Toquepala, também propriedade da Southern.
Versões recolhidas por autoridades regionais indicam que o tenente-coronel Humala se encontraria numa área fria da região sul-andina do país denominada Carumas, de quase 5 mil metros de altitude, no departamento de Moquegua.
A perseguição ocorre enquanto em Lima o general Walter Chacón Málaga assumiu o comando-geral do exército em substituição ao general José Villanueva, tirado do comando pelo presidente Alberto Fujimori como chefe supremo das Forças Armadas.
As mudanças incluem também os comandantes gerais da Marinha de Guerra e da Força Aérea do Peru, em meio a uma crise política devido ao retorno ao país do ex-assessor presidencial, Vladimiro Montesinos.


