Exército invade casa de general rebelde
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quinta-feira, 30 de outubro de 1997
AE-Reuters 
France PresseEstado militarComando do exército fortemente armado monta guarda em frente à casa de Lino Oviedo, num bairro luxuoso de AssunçãoUm comando do Exército paraguaio fortemente armado tomou de assalto ontem a residência do general da reserva Lino César Oviedo, num luxuoso bairro de Assunção, e feriu pelo menos um dos principais colaboradores do militar. Feriram o capitão (Vladimiro) Woroniecky... estamos em um estado militar, afirmou a jornalistas o deputado Ismael Echague. A operação, realizada em conjunto com a polícia, cumpria ordem de prisão emitida pelo presidente paraguaio, Juan Wasmosy.
Negando a existência de feridos durante a operação, porta-vozes militares afirmaram que um tiro, ouvido por jornalistas do lado de fora da residência do general, fora disparado involuntariamente para o alto por um dos componentes do comando.
A televisão paraguaia mostrou imagens com colaboradores e familiares de Oviedo deitados no chão do pátio da residência enquanto soldados apontavam armas para suas cabeças. Tenho uma metralhadora na cabeça. Vou seguir relatando até quando puder, disse, por meio de um telefone celular, o porta-voz oficial de Oviedo, Alejandro Velázquez, de dentro da mansão.
Segundo a mulher de Oviedo, Raquel Marín, ele se encontra no interior do país, no Departamento de Canindeyu, em campanha política. Oviedo foi eleito em setembro candidato presidencial pelo governista Partido Colorado para as eleições de maio, mas seus adversários recorreram ao Tribunal Eleitoral, alegando fraude.
Wasmosy, por sua vez, advertiu ontem que fará tudo para que seja cumprida a ordem de prisão disciplinar de 30 dias que ele ditou no dia 3 contra Oviedo, por difamar o comandante-chefe das Forças Armadas (o próprio Wasmosy).
Os advogados de Oviedo haviam apelado da ordem de prisão e obtido uma liminar que impedia sua detenção. Mas, na terça-feira, a Suprema Corte cassou essa liminar, que havia sido concedida pelo Tribunal de Apelações.
Um porta-voz da polícia informou ontem que um efetivo policial foi enviado à região de Canindeyu, no Alto Paraná (Departamento localizado a cerca de 300 quilômetros a leste da capital), onde acredita-se que Oviedo esteja escondido. Pelo menos 25 policiais estão participando da busca, mas poderão receber em breve a ajuda do Exército. Há também a possibilidade de que sejam montados postos de controles nas estradas.
Novos rumores de tentativa de golpe de Estado, que perseguem a democracia paraguaia desde sua reinstauração, em 1989, começaram a ressurgir ontem entre políticos de diversas linhas. Tanto aliados do general da reserva, como membros da oposição e da própria equipe de Wasmosy levantavam a ameaça de um golpe.
Oviedo, que em abril de 1996 foi acusado por Wasmosy de liderar um levante militar e tentar dar um golpe, estaria planejando derrubar o governo se a Justiça insistir em puni-lo. No ano passado, Oviedo, então comandante do Exército, foi obrigado a passar para a reserva, e desde então enfrenta um processo militar por sublevação.
Segundo o senador governista Juan Galaverna, Oviedo tem sua própria gente armada e agora não precisa da cúpula das Forças Armadas para tentar um golpe.
Mas os temores de um autogolpe também marcam o governo de Wasmosy desde o fim de 1995, quando o presidente iniciou uma campanha de aberto enfrentamento com o Congresso.
Há algumas semanas, um deputado governista disse à agência Reuters que muitos legisladores sem possibilidade de reeleição - nada menos que 80% do Congresso atual - estariam dispostos a apoiar a prorrogação do mandato de Wasmosy para não ficar sem seus cargos.


