France Presse
De Moscou
O exército federal russo conseguiu sitiar ontem praticamente toda Grozny, a capital chechena, um dia depois de uma coluna de refugiados ter sido metralhada, o que provocou entre 40 e 50 mortes, segundo testemunhos colhidos pelos meios de comunicação russos, cuja responsabilidade foi desmentida pelo ministério da Defesa.
Na madrugada de sábado, a agência Interfax, citando ‘‘comandantes chechenos’’, havia afirmado que o exército federal havia cercado totalmente Grozny, apoderando-se da última estrada de ligação com o exterior da região, ao sul da cidade.
Pouco depois, o correspondente da TV estatal ORT no local confirmava a informação, que foi negada pelo ministério da Defesa. O ministério da Defesa desmentiu de forma categórica que tenham sido as tropas russas as responsáveis pelo fuzilamento do comboio de refugiados a apenas dez quilômetros de Grozny.
A TV russa NTV transmitiu ontem o testemunho de uma mulher que afirmou ter sobrevivido ao ataque. ‘‘Nos metralharam: o ônibus, vários carros, todos morreram. O único veículo que conseguiu passar foi o nosso’’, disse Aidamirova, interrogada num hospital da Ingushétia (república fronteiriça da Chechênia) onde foi internada. A NTV divulgou também imagens que mostram feridos atendidos no hospital e que foram apresentados como vítimas do ataque ao comboio.
Putin O Kremlin pode antecipar para ‘‘maio ou abril’’ a eleição presidencial prevista para 4 de junho, para assegurar a vitória do Primeiro-Ministro Vladimir Putin, advertiu ontem, em São Petersburgo, o chefe do Partido Comunista, Guennadi Ziuganov. Putin, designado pelo presidente Boris Yeltsin como seu sucessor, tem melhorado nas pesquisas, à medida que as tropas russas avanzaçam na Chechênia. Atualmente, é o favorito, com 42% das intenções de voto, contra 13% para Ziuganov. ‘‘Putin só tem respostas para a Chechênia. Mas há outros problemas’’ afirmou Ziuganov à imprensa.

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