Os responsáveis sanitários do exército americano avisaram há sete anos dos riscos de câncer de pulmão e ossos a que estavam expostos os soldados que tinham contato com o pó das munições de urânio empobrecido.
Um memorando do coronel Robery Claypool, diretor da US Army Chemical School, com data de 16 de agosto de 1993, afirma que ‘‘quando os soldados respiram ou tragam o pó de urânio empobrecido (UA), existe um aumento potencial de risco de câncer’’, publicou ontem o jornal londrino The Independent.
‘‘A magnitude deste aumento pode-se medir (em termos de dias de vida perdidos) se se souber ou se puder estimar a quantidade de UA ingerido’’, informa o The Independent.
O documento do coronel Claypool, um dos responsáveis do escritório do chefe do serviço médico militar, recomendava a criação de um grupo de estudo para identificar medidas possíveis contra a exposição ao urânio empobrecido e ‘‘otimizar em seguida o equilíbrio entre o risco relacionado com o UA e as contramedidas no campo de batalha’’, cita o jornal.
O uso de munições com urânio empobrecido no Golfo, na Bósnia e no Kosovo está sob suspeita, não comprovada até agora, de ter provocado doenças diversas, entre elas câncer, em dezenas de soldados que participaram dessas operações.
Ainda segundo o The Independent, cerca de 300 refugiados sérvios do bairro de Sarajevo atacado por aviões da OTAN em 1995 com munição de urânio empobrecido já morreram de câncer.
A reportagem do correspondente de guerra Robert Fisk revela que as vítimas, que morreram de câncer ou de leucemia, faziam parte dos 5 mil sérvios sobreviventes que fugiram de suas casas no bairro de Hadjici quando o local foi alvo dos aviões da OTAN, no verão de 1995.
‘‘É como se uma epidemia tivesse atingido esse povo’’, diz a reportagem. Os sobreviventes estão convencidos de que as doenças foram causadas pelos bombardeios norte-americanos A-10 que metralharam algumas fábricas do bairro con munições de urânio empobrecido.
As autoridades norte-americanas sustentam que não há provas científicas de que as munições com urânio empobrecido utilizadas na Bósnia em 1994 e 1995, e depois no Kosovo, em 1999, possam ser a razão das doenças.

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