Cairo, Egito - Os militares que governam o Egito pediram ontem desculpas pelas mortes dos manifestantes nas mãos da polícia, enquanto insistiram que as eleições serão mantidas na próxima semana, como planejado.
  ‘‘O Conselho Supremo das Forças Armadas (SCAF) lamenta e pede desculpas pelas mortes dos mártires entre os leais filhos do Egito durante os recentes acontecimentos na Praça Tahrir’’, indicava um comunicado na página do SCAF no Facebook.
  Ontem ainda havia uma multidão na Praça Tahrir, palco de dias de confrontos violentos entre as forças de segurança e manifestantes que pedem o fim imediato do governo militar, mas os ânimos estavam calmos depois de uma trégua negociada pelos clérigos muçulmanos.
  ‘‘Um acordo foi feito recentemente entre as forças de segurança e os manifestantes para suspender os confrontos entre os dois lados’’, indicava um comunicado na página do gabinete do Egito no Facebook.
  Pelo menos 38 manifestantes foram mortos desde sábado, quando os primeiros enfrentamentos eclodiram e mais de 2 mil pessoas ficaram feridas, suscitando a preocupação dos governos do Ocidente e um pedido da ONU por uma investigação independente sobre o ‘‘uso excessivo da força’’.
  Os manifestantes querem que a liderança militar renuncie imediatamente e permita um retorno ao governo civil. Mas o conselho militar disse ontem que fazer isso significaria uma ‘‘traição’’ ao povo.
  ‘‘O povo nos confiou essa missão e, se nós a abandonarmos agora, isso seria uma traição ao povo’’, declarou o General Mukthar al-Mulla, membro sênior do SCAF, em uma coletiva de imprensa.
  ‘‘As Forças Armadas não querem ficar no poder. Queremos colocar os desejos do povo acima de qualquer coisa’’, disse ele, acrescentando que desde o começo do período de transição este tem sido o ‘‘primeiro objetivo’’ do Exército para restaurar a segurança das ruas do Egito.
  Os egípcios estão prontos para votar na segunda-feira nas primeiras eleições desde que Hosni Mubarak foi derrubado, mas a violência obscureceu o primeiro passo do país em direção ao governo democrático.

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