Exército do Egito anuncia que revogará estado de emergência
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sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
BBC-Brasil 
O comando das Forças Armadas no Egito disse que encerrará o estado de emergência que vigora no país há 30 anos assim que a "situação atual tiver terminado".
Em comunicado divulgado após uma reunião na manhã de hoje (11), o Conselho Supremo do Exército disse que endossava a transferência de poderes anunciada pelo presidente Hosni Mubarak ao vice-presidente Omar Suleiman.
As Forças Armadas disseram ainda que garantirão eleições livres e justas, mudanças constitucionais e a "proteção da nação".
A revogação do estado de emergência era uma das principais reivindicações da oposição.
O correspondente da BBC no Cairo Jon Leyne disse que os protestos em massa marcados para esta sexta-feira podem resultar em confrontos entre manifestantes e o Exército.
Para Leyne, este seria o momento potencialmente mais perigoso até agora, em duas semanas de protestos.
A reunião do Conselho Supremo do Exército foi presidida pelo ministro da Defesa, general Hussein Tantawi.
Imagens da reunião exibidas pela TV estatal egípcia mostraram Tantawi comandando o encontro sentado à mesa com dezenas de outros oficiais, mas sem a presença de Mubarak ou Suleiman.
O comunicado do Conselho foi transmitido pela TV estatal egípcia, enquanto ativistas se reuniam em diversos pontos da capital, Cairo, para novos protestos contra o presidente.
Desde a madrugada desta sexta-feira, manifestantes começaram a se reunir em volta de prédios do governo, do Parlamento e da TV estatal, entre outros locais. Centenas de manifestantes formaram uma barreira humana em torno do edifício que abriga TVs e rádios estatais para impedir a entrada de funcionários.
Soldados com tanques que vigiavam a rua da TV estatal não impediram a chegada de cerca de dois mil manifestantes que se aglomeraram perto do local.
Soldados egípcios vigiam a sede da TV estatal do Egito pouco após o discurso do presidente Hosni Mubarak, na madrugada desta sexta-feira, dia 11 de fevereiro.
Os organizadores pretendem realizar protestos em seis locais diferentes, além da praça Tahrir, que tem concentrado as maiores manifestações contra o governo e que também foi palco de confrontos violentos entre manifestantes pró e anti-Mubarak.
Reação
Na madrugada de hoje, milhares de pessoas reunidas na praça Tahrir manifestaram, aos gritos de "abaixo Mubarak" e "vá embora", sua revolta contra o discurso de Mubarak em rede nacional na quinta-feira à noite.
Contrariando expectativas dos manifestantes contrários a seu governo e rumores de que usaria o discurso para renunciar, o presidente afirmou que permanecerás no poder, e que egue com a ''responsabilidade de proteger a Constituição e garantir os interesses do povo''. Ele disse ainda que transferirá parte de seus poderes a seu vice, Omar Suleiman, mas não especificou quais.
A Constituição do Egito permite que o presidente transfira suas principais funções se for incapaz de exercê-las ''devido a quaisquer obtáculos temporários''.
Após o discurso, manifestantes na praça Tahrir mostraram solas dos sapatos (ato considerado ofensivo no mundo árabe), em sinal de repúdio ao pronunciamento. Em seguida, milhares de pessoas começaram a se dirigir até o palácio presidencial.
Ainda que Mubarak não tenha renunciado, seu status à frente do governo do país não ficou claro.
Ontem, em entrevista à rede de TV CNN pouco após o pronunciamento, o embaixador do Egito nos Estados Unidos, Sameh Shoukry, disse que o presidente egípcio transferiu toda a autoridade para o vice-presidente do país, Omar Suleiman, ex-chefe do serviço de inteligência do Egito.
Manifestantes se decepcionaram com o discurso de Mubarak, realizado em 10 de fevereiro de 2011
Segundo o representante do Egito em Washington, Mubarak ''permanece sendo o chefe de Estado de direito'', ao passo que Suleiman ''é o presidente de fato''.
"O presidente Mubarak transferiu toda a autoridade para o vice-presidente''. O embaixador acrescentou que ''Suleiman agora está exercendo toda a autoridade do presidente, como exige a Constituição''.
Um dos líderes da oposição egípcia, Mohamed ElBaradei, Nobel da Paz e ex-diretor da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica), disse, ontem, em seu perfil no twitter que ''o Egito vai explodir'' e que ''o Exército deve salvar o país imediatamente''.
Ele ainda acrescentou: ''Eu peço que o Exército egípcio interfira imediatamente para resgatar o Egito. A credibilidade do Exército está em jogo''.
O grupo Irmandade Muçulmana qualificou o dicurso de Mubarak como ''uma farsa''. ''Temos um presidente ilegítimo passando o poder para um vice-presidente ilegítimo'', afirmou Mohammed Abbas, que representa a ala jovem da Irmandade Muçulmana. ''Nós rejeitamos este discurso e pedimos a Mubarak que renuncie e que transfira seus poderes para o Exército''.
''Existe uma disputa de poder entre Mubarak e o Exército. Os egípcios confiam no Exército'', acrescentou.


