Associated Press
De Maon Farm, Cisjordânia
Numa mostra de força diante de militantes contrários ao processo de paz com os palestinos, o Exército israelense desmantelou ontem o assentamento judaico ilegal de Maon Farm, na Cisjordânia, expulsando do local centenas de colonos que se recusaram a cumprir o ultimato de retirada dado na semana passada pelo primeiro-ministro Ehud Barak.
‘‘Isto é uma limpeza étnica de judeus por judeus’’, afirmou Nadia Matar, líder do grupo ultranacionalista Mulheres de Verde, em Maon Farm. ‘‘Temos vergonha do nosso governo.’’
Já Barak, empenhado em acertar até setembro um tratado final de paz com os palestinos, advertiu que a ‘‘anarquia’’ não será tolerada. ‘‘O que ocorreu no local foi um teste, e nada simples, para a democracia e um sinal vermelho na estrada para a anarquia’’, afirmou o primeiro-ministro trabalhista ao seu gabinete. Depois da expulsão dos colonos, o gabinete de Barak aprovou por 17 votos a 1 mais uma etapa da devolução de terras da Cisjordânia aos palestinos.
Segundo a decisão, Israel transferirá segunda-feira 2% do território para controle total (administrativo e de segurança) da Autoridade Palestina (AP, presidida por Yasser Arafat), e 3% para controle parcial, em cumprimento à segunda das três fases da retirada militar prevista no acordo firmado em setembro no balneário egípcio de Sharm el-Sheik.
O mais sério e emocional confronto entre soldados e colonos desde a desocupação da cidade-assentamento de Yamit, em 1982 (quando Israel devolveu o Monte Sinai ao Egito), durou três horas e cerca de 50 pessoas foram detidas.
Muitos colonos estavam surpresos ao ver o Exército cumprir o ultimato. ‘‘Vocês são judeus também’’, gritavam eles – alguns com suas velhas identificações militares – para os cerca de mil soldados que participaram da operação. Um homem que soluçava incontrolavelmente repetia: ‘‘Não posso acreditar.’’ Outros, enfurecidos, jogavam ovos, tinta e farinha nos militares, aos gritos de ‘‘vergonha’’ e ‘‘Arafat está orgulhoso de vocês’’.
A Autoridade Palestina saudou a ação, assinalando que ela ajudará a restaurar a confiança entre palestinos e israelenses – que iniciaram segunda-feira e etapa final das negociações de paz –, mas reiterou a exigência de remoção de todas as colônias judaicas na Cisjordânia e Faixa de Gaza. Cerca de 170 mil colonos judeus vivem em 45 assentamentos na Faixa de Gaza e Cisjordânia, ocupadas por Israel na Guerra dos Seis Dias, em 1967. Os palestinos, que esperam criar um Estado independente nesses territórios, consideram todas as colônias ilegais.

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