São Paulo - O Exército israelense lançou quatro mísseis em campos abertos da Faixa de Gaza ontem, pela primeira vez desde a retirada de Gaza, no final de agosto. Não houve relato de feridos.
A ofensiva israelense aconteceu depois que militantes palestinos lançaram dois foguetes Qassam (de fabricação caseira) contra a região de Negev e a cidade de Sderot, sem deixar vítimas nem prejuízos.
Pouco antes dos ataques com foguetes, o líder do grupo extremista palestino Hamas, Mohammed al Hindi, se reuniu com líderes palestinos. A reunião ocorreu após uma extensa ofensiva israelense contra militantes, em resposta aos ataques com foguetes contra cidades israelenses no final de semana.
De acordo com Al Hindi, os líderes palestinos o informaram que a ofensiva israelense deve ter fim em breve. ''Quando isto acontecerm, suspenderemos os ataques com foguetes'', afirmou.
Também ontem, o líder do Jihad Islâmico, Khaled al Batsh, anunciou que seu grupo e outras facções militantes reiteravam o compromisso com o cessar-fogo, após dias de ataques aéreos israelenses, em retaliação a ataques palestinos da Faixa de Gaza. ''Nós renovamos nosso compromisso com a calma, com a condição de que Israel pare com as agressões contra nosso povo'', afirmou al Batsh, após um encontro entre líderes militantes em Gaza.
O anúncio do Jihad Islâmico acontece dois dias depois que o líder do Hamas na Faixa de Gaza, Mahmoud Zahar, declarou a suspensão dos ataques contra Israel. Nos últimos dias, o Exército israelense retomou os ataques aéreos contra líderes militantes, matando dois altos membros do Jihad Islâmico.
Quase 300 supostos militantes foram presos nos últimos dois dias em Gaza e na Cisjordânia. Ontem, 82 supostos militantes do Hamas foram presos na Cisjordânia. O episódio de violência entre palestinos e israelenses eclodiu após uma explosão em uma festa do Hamas, que deixou 19 mortos, na última sexta-feira.
O ministro da Defesa israelense, Shaul Mofaz, afirmou ontem que não está satisfeito com o compromisso do Hamas, horas depois que o grupo militantes assumiu a responsabilidade pelo sequestro e assassinato de Sasson Nuriel, 55 anos, natural de Jerusalém e encontrado morto ontem.
''O Hamas cometeu um ato imperdoável, e nós temos que ditar as regras do novo jogo'', afirmou Mofaz à rádio militar. ''Nós não deixaremos este ato passar em branco. O Hamas precisa saber que Israel irá agira para proteger seus cidadãos.'
Em um comunicado, o Hamas assumiu a responsabilidade pelo sequestro de Nuriel, que foi identificado como agente do Shin Bet (serviço secreto israelense). O sequestro teria ocorrido na quarta-feira, com a intenção de forçar a libertação de prisioneiros palestinos sob a custódia de Israel. No entanto, após a série de prisões contra militantes na Cisjordânia, o grupo decidiu matar o agente.
O grupo militante divulgou um vídeo ontem que mostra Nuriel com os olhos vendados e as mãos amarradas, pedindo que os prisioneiros palestinos fossem soltos. ''Soltem os garotos na prisão'', ele diz no vídeo. O sequestro e a divulgação do vídeo parece indicar a adoção de uma nova tática por parte dos militantes em sua luta contra Israel.

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