GENEBRA - A Organização das Nações Unidas (ONU) acusou ontem o Exército do Burundi de ter matado mais de mil pessoas - entre elas, centenas de refugiados hutus que voltavam do Zaire - do fim de outubro ao começo de novembro.
Investigações do Escritório de Direitos Humanos da ONU, baseadas em relatos de testemunhas, concluíram que a maioria das mortes ocorreu durante os intensos choques de guerrilheiros hutus com o Exército burundinês. No fogo cruzado, morreram também inúmeros civis.
Na maior das matanças relatadas, entre 250 e 400 hutus burundineses que retornavam do Zaire foram massacrados pelo Exército do Burundi em 21 de outubro, numa aldeia de Murambi, na região de Cibitoke, perto da fronteira entre os dois países. Observadores de direitos humanos visitaram o local dias depois e encontraram 250 cadáveres em duas valas comuns.
De acordo com o relatório da ONU, os militares burundineses mataram grupos de hutus quase diariamente durante a crise de refugiados aberta com a ofensiva dos rebeldes tutsis de origem ruandesa no leste do Zaire. Em três anos de guerra entre guerrilheiros hutus e o Exército tutsi, pelo menos 150 mil pessoas foram mortas no país.
Ruanda e Burundi têm a mesma composição étnica - 85% de hutus, 14% de tutsis e 1% de pigmeus - e a mesma origem colonial, dominados primeiro pelos alemães e depois pelos belgas.
Em Nairóbi, capital do Quênia, outro orgão da ONU - o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) -, estimou em pelo menos 5 mil pessoas os mortos nas últimas semanas nos combates e nos massacres do leste do Zaire. A ofensiva dos rebeldes tutsis banyamulengues, que vivem na região há dois séculos, expulsou as milícias hutus que estavam baseadas nos campos de refugiados em território zairense, provocando o retorno de mais de 600 mil hutus a Ruanda.
Como a Acnur estimava em mais de 1,2 milhão os hutus que estavam exilados no Zaire, a entidade considera desaparecidos aproximadamente 500 mil refugiados.
O comitê de direitos humanos da Acnur denunciou também prisões arbitrárias, saques e casos de tortura impostos a civis inocentes que retornam tanto a Ruanda quanto ao Burundi.

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