Associated Press
De Díli
O Exército da Indonésia partiu ontem de Timor Leste e deixou a segurança do território nas mãos da força de paz da ONU, que aproveitaram para expulsar milicianos pró-Indonésia de seu bastião na cidade de Liquisa. O general indonésio Kiki Syahnakri anunciou à imprensa a transferência de controle, acrescentando, porém, que 1,5 mil de seus soldados permanecerão em Timor Leste para guardar as bases militares até que o resultado do plebiscito do dia 30, pró-independência, seja ratificado pelo Parlamento, que se reunirá em novembro.
O comandante da Força Internacional da ONU em Timor Leste (Interfet), o general australiano Peter Cosgrove, saudou a partida das tropas indonésias, acusadas de apoiar e ajudar as milícias em sua campanha de terror no território. Mas ele negou que a Indonésia tenha transferido completamente o controle de Timor Leste para a ONU e assinalou que em grande parte da ex-colônia portuguesa ainda não há segurança efetiva. Segundo Cosgrove, as tropas indonésias deixaram um vácuo que os 3,7 mil soldados da força de paz não são capazes de preencher imediatamente.
O general australiano enviou ontem 150 soldados, helicópteros Blackhawk e blindados a Liquisa (cerca de 30 quilômetros a oeste de Díli, capital timorense). Lá, as forças da ONU obrigaram 30 combatentes pró-Jacarta a fugir para as montanhas.
De acordo com as agências humanitárias, as milícias pró-Jacarta mataram milhares de pessoas e obrigaram centenas de milhares a fugir do território após o plebiscito patrocinado pela ONU.
O bispo Basilio do Nascimento denunciou ontem que um grupo católico foi atacado sábado por soldados indonésios quando voltava a Baucau desde a localidade de Los Palos, no extremo leste do território. Nove pessoas foram mortas: um jornalista indonésio, dois seminaristas, duas freiras, um chofer, duas assistentes das freiras e o chefe da Cáritas de Baucau.
Em Genebra, o Comitê de Direitos Humanos da ONU decidiu pedir que o secretário-geral Kofi Annan lance uma investigação sobre as atrocidades em Timor. A decisão foi aprovada por 32 votos a 12.
Pai de Gusmão está vivoO pai do líder independentista timorense José Alexandre ‘‘Xanana’’ Gusmão, cuja morte foi informada durante uma ofensiva da milícia em Díli, capital do Timor Leste, está escondido na casa de um amigo no território, informou ontem um jornal português. Manuel Gusmão, pai de Xanana, disse a um correspondente do jornal Público que fugiu no começo deste mês quando sua casa foi incendiada por milicianos contrários à independência.
Manuel Gusmão, que segundo o Público tem 83 anos, e sua esposa Antonia, de 77, estão em péssimas condições de saúde, restritos a uma pequena cama, informou o jornal. A reportagem não divulgou a localização da residência e não estava claro se Antonia era mãe de Xanana. Manuel relatou estar com problemas respiratórios e afirmou desejar que seu filho providenciasse a ele transporte para a Austrália.

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