Envolvido em diversos escândalos e acusado de mercantilismo, o Exército chinês tenta reconstruir sua imagem lutando contra as inundações catastróficas que castigam o país há várias semanas.
‘‘O Exército é a grande estrutura que serve de amparo quando tudo vai mal na China’’, destaca um diplomata ocidental.
Enquanto as críticas recaem nestes últimos dias sobre os dirigentes locais negligentes, covardes, corruptos ou que se negam a obedecer as ordens, o Presidente chinês, Jiang Zemin, aproveitou um giro de inspeção pelas regiões afetadas para elogiar o papel desempenhado pelos militares na luta contra as inundações.
Para lutar contra o desastre que já causou pelo menos 2.000 mortos, segundo o último balanço oficial, cerca de um milhão de homens foi mobilizado, entre os 3,2 milhões que formam o Exército Popular de Libertação chinês (APL).
Presentes em todas as frentes, enviados sistematicamente nas situações mais perigosas para socorrer as populações ameaçadas, os soldados são diariamente bajulados pela imprensa oficial, que não se cansa de relatar suas proezas.
O tom dos artigos contrasta nitidamente com as críticas duras às quais o Exército se viu exposto há apenas algumas semanas, quando era alvo da luta contra a corrupção.
Em 22 de julho, Jiang provou que não temia os militares, convencendo-os a pôr fim a suas prósperas atividades econômicas, que vão desde os transportes às minas de carvão, hotéis, restaurantes, passando pelo setor imobiliário e até as discotecas.
O interesse dos militares pelos negócios começou em 1989, quando o regime chinês, grato pela ajuda dada ao Partido para acabar com as manifestações na Praça da Paz Celestial, concedeu a eles carta branca para enriquecer.
Mas esta situação já não é tolerada, e o Primeiro-Ministro Zhu Rongji comprometeu-se diante do mundo dos negócios a acabar com a concorrência desleal das fábricas militares.

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