Bernard Estrade
France Presse
De Jacarta
A evolução da situação no Timor Leste desde domingo parece indicar que o exército indonésio iniciou a aplicação das duas últimas etapas de um ‘‘plano B’’ elaborado há tempo na previsão de uma vitória dos independentistas.
Este plano, analisado por especialistas ocidentais e que a AFP tomou conhecimento, tem como objetivo a divisão da ex-colônia portuguesa e prevê, entre outras medidas, deslocamentos em massa da população. O plano prevê também a liquidação dos dirigentes e das forças de resistência leste-timorenses, assim como da elite intelectual, em particular dos estudantes.
O plano B estabelece ainda o controle da Igreja Católica – considerada como um obstáculo à ‘‘integração da população, mediante diversas pressões sobre as autoridades religiosas e demonstrando com fatos que nem os sacerdotes nem os templos são locais de refúgio para os timorenses do Leste.
Ao que parece, esses objetivos estão em sua última fase de aplicação, segundo diversas informações procedentes de Dili, depois da saída forçada de jornalistas ocidentais, observadores, diplomatas e membros das Nações Unidas. Esta saída e a maneira de consegui-la, através da intimidação, mas sem provocar vítimas entre os estrangeiros, o que poderia provocar uma reação rápida e efetiva da comunidade internacional.
Utilizando amplamente as forças especiais indonésias, encarregadas da supervisão das milícias, o plano põe em ação em sua última fase efetivos militares da ordem dos 15 mil homens e inclusive blindados leves.
Os reforços de tropas enviadas com o pretexto de restabelecer a ordem e a segurança são na realidade e segundo a análise de um especialista, um ‘‘aumento da potência’’ e seu objetivo é acelerar a operação antes de uma reação da comunidade internacional, posta ante a evidência de fatos consumados.

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