Fortemente armadas, tropas do Exército e da Polícia Nacional da Colômbia começaram a patrulha ontem a devastada cidade de Armenia, no sudoeste do país, para evitar os violentos saques a lojas e supermercados, como os registrados na véspera. O presidente colombiano, Andrés Pastrana, instalou temporariamente a sede do governo na cidade, a mais abalada pelo terremoto de segunda-feira, que atingiu 6 graus na escala Richter, causou a morte de pelo menos 900 pessoas e destruiu dois terços dos edifícios locais.
Integrantes das equipes de socorro estimam que o número de mortos deve passar de 2 mil só em Armenia. Os desabrigados passam de 250 mil.
‘‘Vim para pôr as coisas em ordem’’, anunciou Pastrana, ao assumir o controle da região atingida pela catástrofe, logo depois de a polícia ter contido a tiros as turbas de desabrigados que saqueavam cerca de 20 pontos comerciais. Fontes hospitalares afirmaram que pelo menos dez pessoas ficaram feridas nos distúrbios.
‘‘Estamos diante da situação de mais difícil controle já vivida pela Colômbia, mais complicada até do que a tragédia de Armero (em 1985, quando a erupção do vulcão Nevado del Ruiz causou a morte de cerca de 25 mil pessoas), pois agora temos milhares de pessoas para alimentar’’, afirmou Pastrana, pedindo aos colombianos de todo o restante do país que colaborem com os flagelados doando alimentos.
‘‘Dê-nos comida, não tiros’’, gritava a multidão em Armenia, protestando contra os disparos das forças de segurança para evitar os saques. Um pouco antes de a violência generalizar-se, oficiais superiores da polícia local aconselhavam, em transmissões de rádio, a população civil a armar-se para evitar a ação dos saqueadores.
‘‘Todos devem defender suas residências com as armas que conseguirem - pedaços de pau, objetos contundentes, o que for’’, dizia uma dessas mensagens. ‘‘Usem as armas só em último caso, mas, se for necessário, usem.’’
Além da destruição causada pelo tremor, os milhares de desabrigados de Armenia sofrem, há três dias, com a forte chuva que atinge a região. As barracas de campanha que chegaram até ontem ao oeste colombianos não eram suficientes para suprir nem mesmo uma pequena fração das necessidades.
Ensopados, famintos, sem nenhum tipo de recurso material e submetidos a um toque de recolher que vigora das 18 horas às 6 da manhã, os desabrigados amontoam-se na frente dos escombros de suas casas à espera da chegada dos gêneros doados por vários países.
No Brasil, o Consulado da Colômbia em São Paulo (telefone 285- 6350) está aceitando doações de alimentos e barracas. Donativos em dinheiro podem ser feitos em qualquer agência do Banco Santander por meio da conta corrente Vítimas do Terremoto na Colômbia, número 45.100/76, agência Líbero Badaró-SP (008.6).

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